Shopping e comércio é onde paulistano mais percebe racismo na cidade

Pesquisa da Rede Nossa SP mostra que subiu de 33% para 49% a parcela da população paulistana considera que discriminação aumentou

A edição de 2020 da pesquisa “Viver em São Paulo: Relações Raciais”, da Rede Nossa São Paulo, mostra que aumentou a parcela da população paulistana que avalia que a discriminação contra os negros aumentou nos últimos dez anos.

Dos entrevistados, 49% responderam que percebem crescimento nessa prática. Já no ano passado, eram 33% os que tinham essa percepção de expansão do preconceito racial na cidade.

Ela ainda revela que são 34% os que consideram que a discriminação ficou igual nos últimos 10 anos. Com isso, somando 83% de paulistanos que não viram melhora nesse quesito.

O levantamento, feito em parceria com o Ibope Inteligência, listou oito locais e pergunta se, ali, o pesquisado percebeu mais discriminação. Em sete deles, a resposta foi positiva, e em todos houve crescimento em relação a 2019.

  • Shoppings e comércio: 81% (12% a mais do que 2019)
  • Ruas e espaços públicos: 75% (11% a mais do que em 2019)
  • Escola/ faculdade: 77% (15% a mais do que em 2019)
  • Trabalho: 74% (14% a mais do que em 2019)
  • Transporte público: 70% (13% a mais do que em 2019)
  • Hospitais e postos de saúde: 65% (13% a mais do que em 2019)
  • Local onde mora: 57% (21% a mais do que em 2019)
  • Ambiente familiar: 37% (15% a mais do que em 2019)

Como diminuir?

A pesquisa inclui uma série de questões sobre como reduzir a discriminação e o preconceito contra pessoas negras. Aumento de punição por injúria racial (48%) e punições mais severas para policiais (41%) foram as medidas mais citadas.

O caminho pela educação desde cedo, com debates em escolas e inclusão do tema no currículo, é o apontado por 33% dos entrevistados.

As ações afirmativas em empresas vieram a seguir: 22% apontaram como medida uma maior conscientização nas contratações e promoção de pessoas negras nos diversos setores. Já 20% indicam que uma das melhores atitudes seria uma ação das empresas para combater racismo entre funcionários e clientes. E, para 14%, as marcas e as empresas devem se posicionar em campanhas sobre o racismo.

Para a pesquisa, foram entrevistados 800 moradores de São Paulo, com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 21 de setembro deste ano. As coletas foram feitas pessoalmente e on-line. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Escala de percepção do racismo

Com base nas respostas, o Ibope calcula um indicador de percepção de racismo em São Paulo, por meio da questão sobre a existência de diferença de tratamento entre brancos e negros no atendimento e acesso a locais e serviços da cidade. As respostas definem se as pessoas entrevistadas têm alta ou baixa percepção do racismo na cidade.

O resultado final é uma escala que varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 0, menor é a percepção de racismo e quanto mais próximo de 1 é o indicador, maior é a percepção de racismo da população paulistana. O resultado deste ano foi 0,65, ante 0,59 no ano passado.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.