O que o brasileiro pensa?
22 de junho de 2020, 23h58

Silvio Almeida: ‘Tem gente chorando por estátua, mas não é capaz de chorar quando morre um negro’

No Roda Viva, professor defendeu retirada de monumentos para racistas e reconfiguração do espaço público: “revisionismo é tentar impedir o fluxo da história”

Foto: Reprodução/TV Cultura

Convidado do programa Roda Viva desta segunda-feira (23), o professor, jurista e filósofo Silvio Almeida defendeu a retirada de estátuas de pessoas racistas ou ligadas à escravidão. No programa da TV Cultura, ele afirmou que numa luta antirracista o espaço público tem que ser reconfigurado.

“Eu acho curioso: tem gente chorando por estátua, mas não é capaz de chorar quando morre um negro. Eu acho impressionante isso”, disse Almeida. “Eu tenho medo é de quem tenta paralisar a história. Revisionismo é justamente tentar impedir o fluxo da história.”

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Autor de obras sobre filosofia, racismo e consciência de classe — entre elas, “Racismo Estrutural” –, Almeida destacou que a cidade é um espaço político e ela é desenhada de tal forma que as pessoas entendam o seu lugar.

“Se você tem um monumento dentro da cidade, é uma indicação de quem você quer que esteja ali, de quem você faz reverência, e como se dará o processo de manutenção da memória, que precisa ser preservado”, explicou.

Ele deu o exemplo dos Estados do sul dos Estados Unidos, onde ele mora atualmente e que tem diversas estátuas de figuras do exército dos Confederados. Embora tenha perdido a Guerra Civil, o sul construiu diversas homenagens, muitas depois do conflito. Segundo o professor, foram erguidas para deixar marcado para as gerações futuras, mesmo depois da derrota, a defesa da escravidão e da supremacia branca.

“Essas estátuas têm que ser retiradas porque numa luta antirracista o espaço público tem que ser reconfigurado. Construir uma estátua é um ato político. Retirar uma estátua também é um ato político”, defendeu Almeida, em debate que incluiu a estátua de Borba Gato, em São Paulo. No entanto, ele também defendeu “diálogo para ressignificar o local das estátuas”.


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