Sob Bolsonaro e Salles, focos de incêndio no Pantanal batem recorde histórico

Total alcançou 14.764 segundo o Inpe, alta de 214% sobre mesmo período do ano passado, que já tinha sido o maior em 7 anos; MT investiga ação humana

Incêndio no Pantanal - 13.set2020 (Foto: Toscano/Secom-MT)

O total de focos de incêndio no Pantanal bateu recorde histórico neste ano. Em boletim publicado nesta segunda-feira (14), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou que identificou 14.764 focos. Os dados vêm desde 1998 e se referem ao período do ano até o dia 13 de setembro.

O número é 214% maior do que os 4.699 registrados no mesmo período do ano passado, que já tinha sido o mais alto desde 2012. Sob o governo Bolsonaro, com Ricardo Salles à frente do Ministério do Meio Ambiente, os níveis de queimada no bioma batem recordes.

Somente os focos de incêndio deste ano são equivalentes ao total dos seis anos anteriores, e isso lembrando que no ano passado eles já tinham sido altos.

O maior número para o período até então tinha sido registrado em 2005: 9.881 focos. Neste ano, já são 49,4% a mais.

A professora Viviane Layme, do Instituto de Biociências da UFMT, disse à CNN Brasil que a área queimada corresponde a quase 15% do bioma.

Estados

O Pantanal fica nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O primeiro foi o que mais teve focos de incêndio identificados pelo Inpe no ano no país: 32.230. O número inclui outros pontos de fogo fora do bioma.

O governo mato-grossense está investigando quem são os possíveis responsáveis pelos focos de incêndio, que deram início às grandes queimadas no Pantanal neste ano.

As cinco perícias realizadas pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman-MT) apontaram ação humana como causa da origem das queimadas na região.

O fogo já chega perto de cidades e estradas e os efeitos vão além da queimada no Pantanal. Neste domingo (13), o batalhão de trânsito da Polícia Militar do estado interditou por 30 minutos um trecho da Rodovia Emanuel Pinheiro (MT- 251), que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães. A medida foi tomada por causa do fogo e da forte fumaça que prejudicava a visibilidade dos motoristas.

Este post foi modificado pela última vez em 14 set 2020 - 22:34 22:34

Fabíola Salani: Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.