Blog do Emerson Damasceno

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16 de dezembro de 2015, 16h16

Somos todos Fabíola

direitodigital

Sim, o título deste post é realmente provocador e assim achei necessário fazê-lo. Explico:

Durante esta semana, tivemos os nossos grupos de whattsapp e vários outros, invadidos por um vídeo onde uma mulher de nome fabíola teria sido flagrada pelo esposo dentro de um motel. Não vou entrar no mérito, até porque o vídeo acaba por definir, a priori, que isso aconteceu de fato.

No entanto, em vez de vilã, é necessário que se perceba que Fabíola é, na verdade, mais uma vítima. Não é aceitável que se exponha dessa forma algo tão particular, tão íntimo, que deveria ser explicitado apenas nas barras dos tribunais, resguardado pelo sigilo judicial que as causas de família recebem.

Embora eu me apiede do esposo traído, o que se seguiu ao fato, mostra que a mulher passa num átimo de algoz a vítima, fruto de uma sociedade ainda extremamente machista e claudicante ao ser convidada a evoluir. Com ódio na cabeça e um celular com internet na mão, as pessoas fazem coisas inimagináveis, das quais provavelmente se arrependerão depois. Muito embora não há esse direito de arrependimento quando se trata de mídias sociais e suas redes online.

Na filmagem vê-se que a esposa que trai é agredida. A agressão, entretanto, não para no vídeo. O que se vê nas mídias sociais online, é um verdadeiro linchamento moral contra ela, desde então.

Ninguém questiona que o adultério não é mais crime. Quase ninguém estranha tanto ódio dedicado a uma só pessoa, como se fosse normal xingar uma mulher pelo fato de que traiu seu companheiro Como se fosse aceitável homens que traem suas esposas diariamente, mas quando se trata de uma mulher, os adjetivos impublicáveis elucidam a condição feminina na sociedade.

Não, não podemos julgar, condenar e executar uma pessoa dessa forma. Não nos diz respeito as condições que levam alguém a trair, mesmo que seja uma mulher, menos ainda nos diz respeito o fato de que tudo foi filmado e fotografado pela própria vítima da alegada traição.

Crianças são expostas reiteradamente em fotos antigas, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Não é, menos ainda é algo que a Lei permita.

Neste momento onde as mídias sociais querem suplantar o papel que cabe às instituições, mormente ao Judiciário, Fabíola é mais uma vítima de uma máquina que não questiona a sua própria moral.

Nesse contexto, Somos Todos Fabíola. Somos todos envolvidos, nesse triste desenlace.

E antes que você atire mais uma pedra, pense: “e se fosse comigo ou com alguém que eu amo?”


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