Sorvetão e Conrado querem lucrar com heterossexualidade e propagação do ódio em nome de Cristo

No Brasil, se tornou um clássico “artistas” caídos no ostracismo se utilizarem do discurso fundamentalista para atraírem alguma atenção e, quem sabe, lucrar alguma coisa

Desde que o fundamentalismo entrou em ascensão no Brasil se tornou uma prática comum de “artistas” que caíram no ostracismo se utilizarem do discurso de ódio para se promover e, consequentemente, atacar as LGBT.

E não seria diferente com os esquecidos Andrea Sorvetão e o “cantor” Conrado que, no Dia dos Namorados publicaram um vídeo que deveria suscitar apenas vergonha alheia, porém, resvala pra promoção do ódio às famílias não heterossexuais e com outras formações parentais.

Dizem os “artistas” no vídeo: “Oi, pessoal! Meu nome é Conrado! E eu sou a Andrea. E nós somos artistas e somos casados há 26 anos e estamos juntos há 32 anos. Somos um casal hétero, cristão e tradicional. Feliz Dia dos Namorados! Será que nós teríamos alguma empresa interessada em patrocinar essa família?”.

A tríade heterossexual, Cristão e Tradicional é usada correntemente por representantes do obscurantismo brasileiro e sempre com o objetivo de atacar e diminuir qualquer outro tipo de composição familiar, não apenas as LGBT, mas aquelas formadas por mães solo e por avós que criam os seus netos.

É em noma da Tradição, Cristo e Heterossexualidade que a ministra da Família Damares Alves defende as chamadas “terapias sexuais”, nome novo que esses grupos dão à infame “cura gay”.

Mas, além de tudo isso, o casal em questão passa uma borracha em sua própria história: o “cantor” Conrado já foi capa da revista G Magazine, que publicou nu masculino e a ex-paquita já posou para a revista Playboy (1995) e Sexy (2002).

Nada contra a pornografia, mas tudo contra o discurso de ódio travestido de “traição, família, propriedade e heterossexualidade”. Principalmente quando estamos no Brasil, país que mais mata mulheres, LGBT e [email protected] a partir do discurso de ódio – que é sempre racista, misógino e LGBTfóbico.

Também não há nada contra as religiões, mas é curioso que o nome de Cristo seja utilizado para produzir violência ao invés de propagar o amor, como o próprio defendia. Aliás, foi ele que nos alertou dos falsos profetas, não é mesmo?

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E por fim, lembramos de uma das personagens do já saudoso Paulo Gustavo, a Sra. dos Absurdos, uma mulher rica que vivia no Leblon e que tinha como jargão “Sou rica, branca e heterossexual, nada acontece comigo!” e defendia a limpeza eugênica no Rio de Janeiro. É como diz o velho ditado: parece ficção, mas é a realidade.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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