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06 de junho de 2007, 15h39

Sucesso da migração digital depende da interatividade e multiprogramação

Interatividade e multiprogramação foram os dois pontos ressaltados durante o debate sobre migração digital que aconteceu nesta quinta-feira (10), no I Fórum Nacional de TVs Públicas, em Brasília.

Por Christiane Peres

Interatividade e multiprogramação foram os dois pontos ressaltados durante o debate sobre migração digital que aconteceu nesta quinta-feira (10), no I Fórum Nacional de TVs Públicas, em Brasília. Segundo os participantes, a migração das TVs públicas para o modelo digital – processo previsto para ter fim em 2016 – não pode ser fator de aprofundamento da exclusão digital e social, cabendo à TV pública contribuir para integrar a maioria da população aos benefícios da tecnologia, com interatividade e multiprogramação.

Por definição, esses dois conceitos, são respectivamente, o ato de diálogo intercambiável entre o usuário de um sistema e a máquina; e uma forma de transmissão na qual diversas programações independentes entre si são “empacotadas” e transmitidas em um único canal. Dessa forma, a multiprogramação se torna um modelo estratégico para as TVs públicas, uma vez que permite a maior representação da diversidade, sendo o meio que veicula os conteúdos que representam as demandas da sociedade. E a interatividade, por sua vez,favorece a participação do telespectador como cidadão, e não apenas como consumidor dos serviços de radiodifusão. “Essa participação é que acreditamos que vai dar o diferencial entre as características de programação da TV pública e a TV comercial. Esse é o papel das emissoras do campo público”, afirmou o presidente da Radiobrás, José Roberto Garcez.

O Fórum discutiu como se dará essa interatividade, que poderá significar, por exemplo, o acesso de cada cidadão a serviços públicos hoje já existentes na internet, e também a possibilidade de interação com os programas de TV, como o envio e recebimento de mensagens. O grupo concluiu que é preciso produzir políticas públicas para alcançar essa interatividade investindo em software e garantindo um canal de retorno pelo qual o telespectador poderá enviar informação para as TVs públicas e personalizar sua experiência. Com a digitalização do sinal das televisões, no espaço onde há hoje um canal, poderão haver pelo menos quatro. Com isso, as TVs poderão optar entre transmitir imagens com qualidade muito superior à atual dos canais abertos, ou ter mais canais de TVs com programação diferenciada.

Devido ao prazo para término da migração para o modelo digital ser 2016, o governo não mais concederá canais analógicos de televisão a partir de 2013, segundo informou o superintendente da Comunicação de Massa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ara Minasian. O fórum segue termina hoje (11), quando a Carta de Brasília, documento com recomendações para o governo no setor deve ser entregue ao presidente Lula, que participará da cerimônia de encerramento do encontro.


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