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24 de julho de 2014, 10h55

Tancredo Neves já teria colocado dinheiro público no aeroporto de Cláudio

Matéria do jornal O Estado de S.Paulo de hoje mostra que construção de pista de terra batida na fazenda de Múcio Tolentino, tio-avô de Aécio, foi feita com verbas do governo do estado em 1983

Matéria do jornal O Estado de S.Paulo de hoje mostra que construção de pista de terra batida na fazenda de Múcio Tolentino, tio-avô de Aécio, foi feita com verbas do governo do estado em 1983

Por Redação. Foto Google Maps

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo de hoje mostra que suspeitas sobre a utilização de recursos públicos para fins privados não são exatamente uma novidade para Múcio Guimarães Toletino, o tio-avô de Aécio envolvido no caso da construção do aeroporto de Cláudio (MG). Em 1983, ele teria usado verbas do governo do estado para construir a pista de terra batida, asfaltada a partir de 2009, para pouso e decolagem de aviões em sua fazenda. À época, o governador do estado era Tancredo Neves, seu cunhado.

O Ministério Público apurou que o avô de Aécio realizou repasses para a prefeitura, então dirigida por Múcio, e cerca de Cr$ 30 milhões foram utilizados para a construção da pista. Por conta disso, o ex-prefeito é réu em ação de reparação de danos ao erário. Em 2001, uma ação civil sobre o episódio envolvendo a utilização dessa verba foi apresentada pelo MPE, pedindo o bloqueio de bens de Múcio (o que incluía a fazenda do aeroporto), quebra de sigilo bancário, sua condenação por improbidade, e ressarcimento de danos. De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas, no entanto, a maior parte das acusações já prescreveu, exceto a reparação de danos ao erário.

De acordo com o órgão, a obra foi feita sem licitação, graças a um convênio firmado entre Tancredo e o ex-prefeito, “sem participação ou fiscalização da Câmara de Cláudio”. Ao prestar depoimento sobre o caso ao Ministério Público, Múcio disse que tinha um “acordo verbal” com o então governador para que a área do aeroporto fosse posteriormente desapropriada. Ele reconheceu ainda que a pista de pouso e decolagem era usada por Tancredo e sua comitiva, “e que várias outras pessoas e políticos usaram o campo de aviação”, conforme relata um trecho da ação civil.

Em 2009, o governador Aécio Neves aplicou R$ 13,9 milhões na construção do aeroporto onde antes havia apenas a pista de terra, mas o local ainda não tem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para funcionar. Conforme matéria publicada pela Folha de S.Paulo, no entanto, o candidato à presidência pelo PSDB já pousou e decolou dali inúmeras vezes, e é o tio-avô do presidenciável que teria as chaves do aeroporto em seu poder.


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