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15 de outubro de 2015, 12h47

Tarso Genro: acordo com Cunha é entregar a alma ao Diabo

Em texto publicado nas redes sociais, ex-ministro fala que a decisão de setores petistas de tentar salvar o presidente da Câmara, caso confirmada, pode tornar a crise do partido ainda mais dramática

Da Redação

Ex-presidente nacional do PT e ministro da Justiça e da Educação durante o governo Lula, o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) atacou, na manhã desta quinta-feira (15/10) a possibilidade do partido fazer um acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para salvá-lo da cassação em troca do parlamentar fluminense barrar os pedidos de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.

Cunha é apontado, por delatores da Operação Lava Jato, como beneficiário do esquema de corrupção e já é alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal por conta desse caso.

Além disso, a Suíça bloqueou contas naquele país das quais o peemedebista e sua mulher são beneficiários. Como negou à CPI da Petrobras ter contas no exterior, o presidente da Câmara pode responder por quebra do decoro parlamentar.

Leia o texto na íntegra:

Circula na imprensa – blogs e jornalões – de hoje, que a parte da bancada petista que obedece as orientações políticas da maioria que dirige o Partido, estaria negociando bloquear o processo de cassação de Eduardo Cunha, na Câmara Federal, em troca da sua posição de não dar o processamento, aliás ilegal, que vem promovendo, do impedimento da Presidenta. Sinceramente, custo a crer.

Se isso, porém, for verdadeiro, deputados do PT – ressalvados os trinta e dois que assinaram o pedido de cassação de Cunha – estarão cometendo o mais grave erro coletivo, político e ético, da história da bancada. Trata-se da não compreensão da “interdependência necessária”, entre fins e meios na política, que um partido de esquerda deve observar para criar, não somente uma referência política e programática na sociedade, mas também uma referência intelectual e moral, no espaço democrático.

Há um golpismo em andamento, promovido pela direita neoliberal, por forças políticas tisnadas pela corrupção e por uma grande parte da mídia. Ele reproduz, aqui no Brasil, a defesa de um “ajuste” ainda mais duro para satisfazer as agências de risco e o enriquecimento sem trabalho, que caracteriza os ajustes europeus. E as armas de defesa do Governo não são uma bancada politizada e unificada nem as suas medidas econômicas e monetárias, mas a sua legitimidade colhida nas urnas e a integridade pessoal da Presidenta. Fazer este acordo, é “entregar a alma ao diabo”. É se colocar no mesmo nível dos defensores do impedimento, que tinham -até ontem – Cunha como o seu líder mais coerente e reconhecido.

Fazer este acordo, é confirmar a tese da “grande mídia”, que a política não “vale a pena” e que todos são iguais. Fazer este acordo é colocar, pela primeira vez, dentro da crise, a disputa política num outro nível: ou seja, a disputa entre duas ilegitimidades, que ficarão então registradas, tanto do Governo como da Oposição.

É também um erro político, nesta situação concreta, pois quem obtém vantagens na disputa, que se configuraria com este acordo, é a oposição golpista (nem toda ela o é), que conta, a seu favor com o massacre diário, que é feito pela grande imprensa, contra Dilma, contra o PT e contra a esquerda. Estaremos nós, daí, unidos com o cambaleante Cunha, em direção a uma nova condenação no Supremo! E a crise do PT, mesmo não governando, tornar-se-á ainda mais dramática.


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