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11 de agosto de 2015, 09h24

Técnico do Flamengo enxerga “componentes racistas” nas críticas que recebe da imprensa

"O racista vê o negro como aquela pessoa que deve dizer amém e não deve se colocar. E eu sou a antítese disso. Eu me coloco, tenho posição e defendo as minhas convicções. Então pra eles eu sou tido como um intruso, um abusado, porque cheguei numa posição, ainda me coloco e contesto se eu achar que está errado", afirmou Cristóvão Borges em entrevista à ESPN Brasil

“O racista vê o negro como aquela pessoa que deve dizer amém e não deve se colocar. E eu sou a antítese disso. Eu me coloco, tenho posição e defendo as minhas convicções. Então, pra eles eu sou tido como um intruso, um abusado, porque cheguei numa posição, ainda me coloco e contesto se eu achar que está errado”, afirmou Cristóvão Borges em entrevista à ESPN Brasil

Por Redação

Em entrevista à ESPN Brasil exibida na última segunda-feira (10), o treinador do Flamengo, Cristóvão Borges, disse enxergar “componentes racistas” na enxurrada de críticas que tem recebido da imprensa. “Existem críticas exacerbadas que, por serem sistemáticas, viraram perseguição. E algumas com conotação racista sim”, declarou.

Com o cuidado de eximir a torcida do clube das situações que denunciou, Cristóvão falou sobre racismo na TV, mesmo sendo um dos raros técnicos negros da série A do Campeonato Brasileiro nos últimos anos. “Venho sofrendo críticas que fogem do padrão normal e comum que acontecem no futebol”, afirmou. “Começam com as críticas, as críticas insistentes, contínuas e diárias. Então ela vira perseguição e, no conteúdo de algumas dessas críticas, existem componentes racistas sim. Por exemplo, foi citado que o Flamengo, na hora de escolher o treinador, deixou de escolher o Oswaldo de Oliveira para escolher o Mourinho do Pelourinho.”

“A tolerância comigo é diferente, sempre foi. Agora, isso não é uma coisa que me afete a ponto de atrapalhar meu trabalho. Isso não, porque eu me preparei para estar nessa situação. Só que, quando passa do ponto, quando me atinge como pessoa, como cidadão, aí sim eu vou procurar meus direitos para me fazer ser respeitado”, disparou o treinador.

“O racista vê o negro como aquela pessoa que deve dizer amém e não deve se colocar. E eu sou a antítese disso. Eu me coloco, tenho posição e defendo as minhas convicções. Então, pra eles eu sou tido como um intruso, um abusado, porque cheguei numa posição, ainda me coloco e contesto se eu achar que está errado. E que fique claro que a minha posição não é e nunca vai ser de pobre coitado”, colocou, defendendo-se de eventuais acusações que podem ocorrer com a repercussão da entrevista. “O racismo existe e ele é camuflado, como tem sido aqui comigo em relação a essas críticas”, completou.


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