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22 de setembro de 2016, 14h50

Temer assume que golpe contra Dilma foi articulado porque ela não aceitou projeto neoliberal

Em Nova Iorque, quando perguntado sobre o impeachment, o atual presidente não citou as pedalas fiscais e disse que chegou ao devido a rejeição de Dilma às propostas do seu partido, reunidas no projeto “ponte para o futuro”.

Em Nova Iorque, quando perguntado sobre o impeachment, o atual presidente não citou as pedalas fiscais e disse que chegou ao poder devido a rejeição de Dilma às propostas do seu partido, reunidas no projeto “Ponte para o futuro”. Assista

Por Matheus Moreira

Durante entrevista em Nova Iorque (EUA) nesta quarta-feira (21), o presidente empossado Michel Temer assumiu que o impeachment de Dilma Rousseff foi uma articulação política que tinha como interesse implementar o programa “Ponte para o futuro”, um projeto neoliberal do partido de Temer que foi rejeitado pela então presidenta. O vídeo, no fim da reportagem, e as informações, são do The Intercept Brasil.

Segundo Temer, meses antes do impeachment, o PMDB teria apresentado o projeto para Dilma Rousseff, que teria se negado a colocá-lo em pratica. A não realização do projeto e sua rejeição teriam culminado no golpe contra a presidenta petista.

“Há muitíssimos meses atrás, eu ainda vice-presidente, lançamos um documento chamado ‘Uma Ponte Para o Futuro’, porque nós verificávamos que seria impossível o governo continuar naquele rumo. E até sugerimos ao governo que adotasse as teses que nós apontávamos naquele documento’. E, como isso não deu certo, não houve adoção, instaurou-se um processo que culminou agora com a minha efetivação como presidência da República”, reconheceu.

Ponte para o Futuro

Após a efetivação de Temer como presidente da República, pontos do projeto neoliberal do PMDB começaram a ser discutidos. Entre eles, está o congelamento de recursos públicos em educação e saúde pelos próximos 20 anos.

Outro ponto chave do projeto é o aumento da idade para a aposentadoria, previsto já nas reformas da previdência. O documento cita, por exemplo, a universalização do mercado brasileiro, que nada mais é que a abertura ainda maior para o capital, já observada nas entrevistas recentes do presidente. Recentemente Temer afirmou que “o país está aberto a negócios”.

No último dia 13 de setembro, o governo Temer anunciou, ainda, a concessão de 34 projetos de infraestrutura, sendo 4 aeroportos, 2 terminais portuários, 2 rodovias, 3 ferrovias, 3 rodadas de petróleo e gás, 7 distribuidoras de energia e usinas e 3 companhias de saneamento, além da Lotex (braço da Caixa Econômica) e ativos da Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais.

Confira:

 

Foto: Agência Brasil

 


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