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02 de março de 2016, 19h12

Todos (no Partido Republicano) odeiam Donald Trump

Enquanto o bilionário conquista mais delegados na corrida para a vaga de presidenciável da legenda, rivais lutam para definir quem pode ser o candidato “anti-Trump” que conseguiria evitar um racha no partido

Por Glauco Faria

Mais uma vez, o bilionário Donald Trump foi o astro das prévias do Partido Republicano. Ele monopolizou as atenções não apenas do público em geral como de seus principais adversários, que centraram fogo em sua candidatura em uma competição para ver quem poderia representar melhor o papel de “anti-Trump”. Nesta Super Terça, dos 595 delegados escolhidos pelo Partido Republicano, o agora favorito na disputa conseguiu 237, chegando a 319 no total.

Marco Rubio finalmente venceu, em Minnesota, mas sofreu revezes importantes ao não alcançar 20% de votos em diversos estados, percentual mínimo para ter direito a delegados. O pior resultado foi não ter alcançado a marca no Texas. Com 110 delegados (94 conquistados ontem), sua aposta é obter uma vitória no seu estado, a Flórida, para se manter na disputa, mas pesquisa divulgada na semana passada mostrava Trump com 44% contra 28% de Rubio.

Já o outro candidato que conta com a simpatia de parte da cúpula do Partido Republicano, John Kasich, teve outro desempenho pífio, ainda sem vitórias e obtendo 19 delegados, somando 25. No entanto, como não viu Rubio deslanchar, por isso ainda projeta ser o candidato da legenda que salvará o partido de Donald Trump. Para isso, tem que vencer em seu berço político, Ohio, e contar com a derrota de Rubio na Flórida.

Além de vencer no seu estado, Texas, Ted Cruz também obteve triunfos em Oklahoma e no Alasca. Chegou a 226 delegados, 209 na terça, o que o credenciou a pedir, em seu discurso, que candidatos que não tivessem tido “resultados expressivos” ou vencido em nenhum estado desistissem da disputa para apoiá-lo.

Cruz também não tem a simpatia da cúpula dos republicanos, sendo mal quisto por seus colegas de Congresso. Apoiado pelo Tea Party, pode levar vantagem se posicionando como um “mal menor” perante Trump. Contudo, era nos estados do Sul, com forte presença de eleitores evangélicos, que o senador texano colocava suas fichas para acumular delegados. Seu poder de fogo pode diminuir nos próximos estados, deixando em aberto a disputa pelo segundo lugar.

A disputa entre os três, especialmente entre Cruz e Rubio, é em torno de quem pode ser o “anti-Trump”. Não é só o establishment da legenda, mas boa parte dos membros do Partido Republicano também pretende evitar, a todo custo, uma vitória do bilionário.
Katie Packer, que foi uma das coordenadoras da campanha de Mitt Romney à presidência em 2012, contou ao The Atlantic que se sentiu “constrangida por Mitt” quando este recebeu o apoio do empresário em Las Vegas. Mas ela mesma confessa que era melhor contar com o apoio naquela ocasião do que tê-lo trabalhando contra. E talvez este tenha sido o erro de boa parte dos republicanos: aceitaram Trump em seu meio como um apoiador, mesmo sabendo de sua figura controversa. Mais tarde, subestimaram sua força como presidenciável. Agora, pode ser tarde demais para detê-lo.

“Ele não conseguiu 50% em nenhuma primária ainda, então claro que ele pode ser parado”, acredita Packer. “Tudo que podemos fazer é tentar. Se não formos bem sucedidos, poderemos dormir em paz sabendo que tentamos.”

Como derrotar Trump

A esperança dos rivais do bilionário de reverter sua atual vantagem reside principalmente nos chamados “winner-take-all states”, nos quais o vencedor leva todos os delegados. São estados que terão disputas no dia 15 de março como Illinois, Ohio, Flórida, Missouri e Carolina do Norte. Daí a importância maior de Rubio e Kasich vencerem em suas casas.

Se Trump vencer nos estados que têm esse tipo de votação, dá um passo fundamental para seu triunfo. Em caso de derrota, pode ser que chegue à convenção do partido sem obter os 50% dos votos necessários para assegurar sua candidatura. Nesse caso, após a primeira votação, os delegados passam a ter liberdade de voto, sem necessidade de se vincular às candidaturas originais. Isso não acontece desde 1948 e daria lugar a uma verdadeira guerra. Nesse contexto, a imagem do candidato republicano poderia estar irremediavelmente abalada, dando a vitória de mão beijada aos democratas.

Outra alternativa, já cogitada por muitos caso o bilionário vença a convenção, é adotar um independente para concorrer contra Trump. Também seria uma forma de quase suicídio político que teria efeitos imprevisíveis para a legenda. Não há saída fácil para o xadrez republicano.

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