Transparência, e não privatizações, eleva eficiência no serviço público, defende Fenae

Para entidade, ministro da Economia quer tentar convencer população de que “solução para problemas do país” é vender patrimônio público, incluindo a Caixa

A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) condenou, nesta terça-feira (27), as novas declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre as privatizações programadas pelo governo.

Na noite desta segunda-feira (26), durante evento virtual da Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst), o ministro disse que “se houve ‘petrolão’ na Petrobras, mensalão nos Correios e escândalo na Caixa, devia estar bastante claro para a população brasileira que a governança está equivocada”.

A Fenae observa que, para convencer a sociedade de que vender empresas públicas é “a solução para os problemas do país”, o ministro retoma uma narrativa muito usada nos anos 1990: de que a privatização tem o objetivo de combater a corrupção no serviço público.

O presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, disse que há diferentes órgãos de controle para o acompanhamento da atuação das estatais, como a Controladoria-Geral da União (CGU), o Tribunal de Conta da União (TCU) e o Ministério Público (MP). “Órgãos criados com o intuito de fiscalizar e tornar mais eficaz e transparente a atuação das empresas públicas”, afirmou.

“Enquanto o Brasil inteiro sofre com os efeitos econômicos e sanitários da pandemia, o governo e alguns setores, para convencer a população de que é necessário reduzir o papel do Estado, vêm usando o argumento de que privatizar acaba com a corrupção”, destaca Takemoto. “Corrupção é um problema que existe tanto no setor privado quanto no público”, afirmou.


População contra a privatização

A Fenae lembra que a população tem se manifestado contrária a privatizações, segundo pesquisas realizadas por diferentes institutos. Em agosto do ano passado, por exemplo, quando o governo divulgou a lista de estatais que podem ser privatizadas nos próximos anos, o Datafolha apontou que 67% dos entrevistados são contra a venda dessas empresas.

Em outra pesquisa, desta vez realizada pela Revista Fórum entre os dias 14 e 17 de julho deste ano, 60,6% dos entrevistados se posicionaram contrários à privatização do banco público. A revista ouviu a opinião de mil brasileiros sobre a venda de estatais.

A empresa que teve a maior rejeição social à privatização foi a Caixa Econômica Federal.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.