Fórumcast, o podcast da Fórum
11 de outubro de 2015, 09h44

Turquia: sindicatos marcam greve geral de dois dias

A tarde de sábado foi marcada por protestos em várias cidades turcas, com milhares de pessoas nas ruas acusando o governo de estar por trás do atentado que fez, segundo os números oficiais divulgados no sábado à noite, 95 mortos e mais de 200 feridos

Por Esquerda.net

Este domingo, a concentração em Ancara junto ao local do atentado foi atacada pela polícia com golpes de cassetetes e gás lacrimogêneo. O alvo foi a delegação que pretendia deixar cravos em sinal de homenagem às vítimas, onde se incluíam os co-presidentes do partido HDP, vários deputados e líderes sindicais.

“Continuaremos a lutar até que este governo fascista e os assassinos sejam responsabilizados”, afirmou o presidente da Confederação de Sindicatos Progressistas (DISK), uma das organizações que promoveram a manifestação pelo fim dos ataques aos curdos e o regresso do cessar-fogo. As organizações promotoras do protesto convocam agora uma greve geral para segunda e terça-feira.

A tarde de sábado foi marcada por protestos em várias cidades turcas, com milhares de pessoas nas ruas acusando o governo de estar por trás do atentado que fez, segundo os números oficiais divulgados no sábado à noite, 95 mortos e mais de 200 feridos. O centro de crise montado pelo partido HDP e outras organizações presentes na manifestação registou mais de 128 nomes de vítimas mortais e 400 feridos.

“Nunca deixaremos que enterrem estes massacres. Chegarão os dias em que os que instigaram e planearam os massacres e também os políticos que são responsáveis por eles e os que os levaram a cabo serão levados a tribunal”, afirma o HDP em comunicado publicado este domingo, acusando o poder político de estar ligado a organizações mafiosas e aos gangs do Estado Islâmico e Ahrar ash-Sham.

Logo após os atentados, o PKK anunciou que não iria prosseguir com ações ofensivas contra a polícia e o exército turco até às eleições marcadas para 1 de novembro, exceto em caso de ataque de Ancara. Na resposta, o governo bombardeou posições curdas no sudeste do país, matando 14 pessoas, e no norte do Iraque.

O atentado em Ancara

Autoridades suspeitam de atentado suicida e trata-se do ataque terrorista mais mortífero na história recente da Turquia, com um número de mortos superior aos atentados de Istambul em 2003, reivindicados por um grupo ligado à al-Qaeda.

O atentado ocorre a meio da campanha eleitoral para as legislativas antecipadas de 1 de novembro e surge na sequência de outros atentados contra organizações da sociedade civil que protestam contra os ataques do governo à população curda.

A manifestação desta sábado foi promovida pela Confederação dos Sindicatos da Função Pública (KESK), a Confederação dos Sindicatos Progressistas (DISK), o Sindicato dos Arquitetos e Engenheiros (TMMOB) e a Associação Turca de Médicos (TTB) e preparava-se para arrancar junto à estação central ferroviária de Ancara quando se deram as explosões.

A poucos dias das eleições de junho, marcadas pela entrada do partido HDP no parlamento, retirando a maioria absoluta ao partido do presidente Erdogan, a esquerda turca também foi alvo de um atentado perto de um comício do partido na cidade de Diyarbakir, predominantemente curda.

Na sequência do atentado deste sábado, o HDP anunciou a suspensão das atividades de campanha eleitoral. “Estamos assistindo um gigantesco massacre”, afirmou o líder do HDP Selahattin Demirtaş, considerando o atentado como sendo “idêntico e uma continuação dos ataques de Diyarbakir e Suruç”, quando uma caravana de jovens pela paz foi atacada à bomba, fazendo mais de 30 mortos. Por iniciativa do Bloco de Esquerda, o parlamento português aprovou por unanimidade um voto de condenação do massacre.

As bombas explodiram no cortejo dos militantes do HDP e um ataque à sede do partido em Ancara na madrugada de sábado reforçam as suspeitas de que o partido seria o principal alvo deste ataque. Em comunicado, o HDP acrescenta que naquela altura não havia polícia no local da manifestação e que a polícia de choque chegou 15 minutos depois, lançando gás lacrimogéneo sobre as pessoas que tentavam ajudar os feridos.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum