O que o brasileiro pensa?
25 de maio de 2020, 22h02

“Vamos fornecer armas para quem? Para milicianos?”, diz Gilmar Mendes sobre reunião de Bolsonaro

Ministro do STF também destacou que estão “usando as Forças Armadas como se fossem milícias de um partido político” e que o presidente precisa explicar serviço particular de inteligência

O ministro Gilmar Mendes (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, comentou o vídeo da reunião do presidente Jair Bolsonaro com seus ministros, em entrevista ao colunista da revista Época, Guilherme Amado, nesta segunda-feira (25).

“Fiquei um pouco triste de um tempo tão precioso de pessoas com tanto poder de decisão ser usado para assuntos de pouca relevância ou agressões a pessoas. Foi um episódio singular. Eu nunca vi nada igual”, disse Mendes, na conversa que foi transmitida pelo Instagram do jornalista.

O ministro destacou que não se falou sobre o número de mortos na epidemia de coronavírus e que seria interessante saber quais proposições saíram daquela reunião. Ele também demonstrou preocupação com o plano de Bolsonaro de armar a população.

“O que significa armar a população para garantir a liberdade? O que é isso? Vamos fornecer armas para quem? Para milicianos? É tudo muito peculiar e as pessoas devem ter uma conduta em que elas possam se olhar no espelho”, afirmou.

A reunião ocorrida no dia 22 de abril, teve a gravação divulgada, na última sexta-feira (22), no inquérito que investiga a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal para blindar familiares e aliados.

Gilmar Mendes também alertou para a afirmação do presidente de que os seu serviço “particular” de informações funciona.

“Isso foi dito diante do ministro da Defesa e do ministro da Justiça. Estavam o general Ramos e o general Braga Neto. Isso precisa ser explicado. Que tipo de serviço é esse? Temos visto nessas manifestações a bandeira de Israel. Será que existe alguma conexão? Isso é um fato que precisa ser esclarecido”, comentou.

Questionado sobre o papel das Forças Armadas no governo Bolsonaro, o ministro diz que elas servem ao Estado Brasileiro e não a um partido político.

“Quando se diz que vamos fechar o STF usando um soldado e um cabo está se fazendo um vilipêndio. Uma ofensa às Forças Armadas. Está se usando as Forças Armadas como se fossem milícias de um partido político. Isso é indigno. Isso é uma grande ofensa”, disse.


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