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07 de abril de 2017, 17h47

Vereadoras do PSOL recebem enxurrada de ofensas e ameaças via Whatsapp; MBL estaria por trás

Sâmia Bomfim e Isa Penna, ambas vereadoras pelo PSOL de São Paulo, passaram a madrugada recebendo mensagens que iam desde ofensas como “você deveria ter sido abortada” até ameaças e intimidações. Número do celular pessoal das vereadoras foi divulgado em um meme com logo do MBL, grupo cujo o coordenador é o vereador Fernando Holiday (DEM). Se for Holiday que divulgou o número, vereador pode ser cassado

Por Ivan Longo

Na madrugada desta sexta-feira (7), o Whatsapp dos celulares das vereadoras Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Isa Penna (PSOL-SP) foram invadidos com ofensas, intimidações e ameaças de seguidores do Movimento Brasil Livre (MBL). O logo do grupo está em um meme que contém o número pessoal das vereadoras e que começou a circular pelos aplicativos de mensagem.

O meme diz que as vereadoras são contra o projeto Escola Sem Partido, e pede para que as pessoas entrem em contato. Essa semana, o coordenador do grupo, vereador Fernando Holiday (DEM-SP), entrou em um embate no plenário com Sâmia por conta de sua ação de patrulhar escolas e fiscalizar a a bibliografia dos professores. Sâmia é contra a ação e protocolou, recentemente, o projeto de Lei Escola Sem Censura.

À Fórum, Sâmia contou que, após a discussão com Holiday, na terça-feira (4), o vereador começou a compartilhar em suas redes sociais críticas com imagens da psolista.

“Eu estou em um grupo [de Whatsapp] com o Holiday. Desconfio que tenha saído de lá”, afirmou a vereadora, se referindo à divulgação de seu número pessoal.

Todas as características do meme levam a crer que a divulgação partiu, de fato, do MBL. As cores, a fonte utilizada, o logo. Tudo isso somado às desavenças do coordenador nacional do grupo com a bancada psolista fazem com que as vereadoras creditem a divulgação de seus números à Holiday ou alguém próximo.

A assessoria de imprensa de Sâmia informou ainda que há, no gabinete, um celular que é creditado à vereadora mas que, na verdade, quem responde as mensagens é a equipe da parlamentar. Seu número pessoal sequer é divulgado e, por isso, é “praticamente impossível”, segundo a assessora, que o número tenha saído de fora da Câmara.

Sâmia contou ainda que tentou ligar para o vereador Fernando Holiday para que ele esclarecesse o caso, mas não obteve retorno.

À reportagem, a vereadora informou que abrirá um processo interno na Câmara para investigar de onde partiu a divulgação de seu número e, se comprovar que foi Holiday quem espalhou, pedirá a cassação de seu mandato.

“Há essa possibilidade. Minha vida foi colocada em risco”, disse.

Fórum entrou em contato com o Movimento Brasil Livre (MBL) para se posicionar quanto ao caso mas, até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

Confira, aqui, algumas das intimidações e ameaças feitas às vereadoras.

 


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