Vídeo: Bolsonaristas queimam máscaras sob gritos de “fora nazista comunista”

Reunido na frente da Assembleia Legislativa paulista, grupo chamava equipamento de proteção contra Covid-19 de “focinheira” e pandemia de “fraudemia”

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um grupo de bolsonaristas na frente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) queimando máscaras aos gritos de “fora nazista comunista”.

O grupo tem pouco mais de 10 pessoas. Cada um vai jogando máscaras de proteção facial em uma caixa de papelão com fogo. Um deles grita: “Seu comunista miserável, olha aqui!”, balançando uma máscara que depois lança na fogueira. Outro fala: “Vamos queimar essa focinheira!”.

A máscara facial é recomendada por médicos como forma de prevenção à transmissão da Covid-19. Os idosos são o grupo mais suscetível a desenvolver formas graves da doença. No grupo que grita na porta na Alesp, há também idosos.

As vozes se misturam, mas é possível ouvir um dos manifestantes falando: “Ninguém aqui vai tomar a vacina chinesa”. A frase é uma clara alusão à guerra das vacinas que envolve o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O tucano firmou convênio do estado e do Instituto Butantan para testes da CoronaVac, dose desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac. Bolsonaro vetou a compra do produto pelo governo federal, chamando-o de “vacina chinesa do João Doria”.

Então, um dos bolsonaristas puxa o grito de “fora nazista”. Todos passam a repetir juntos, quando uma manifestante grita “fora comunista”, que os demais seguem. Assim, misturam o nazismo, um regime totalitário de direita, com comunismo, regime de esquerda, para levar adiante seu protesto, sem nenhuma coerência histórica.

Também mostram que duvidam da veracidade da pandemia do novo coronavírus. Alguns gritam “fora pandemia, ‘fraudemia’”. O negacionismo é comum a grupos bolsonaristas, a despeito de os dados oficiais do Ministério da Saúde do governo Bolsonaro mostrarem que mais de 5,4 milhões de pessoas se infectaram com o Sars-Cov-2 e 157 mil pessoas morreram devido à Covid-19.

Por fim, gritam juntos: “queima focinheira”, enquanto continuam jogando máscaras na fogueira. Muitas vezes a caixa com o fogo e as máscaras é filmada.

Um dos bolsonaristas faz uma declaração para outro que está filmando: “Olha aqui, seu Doriana, nenhum de vocês, deputados, nenhum de vocês vai me obrigar esse lixo, essa focinheira. Eu me recuso a usar até em departamentos públicos. Deve ser apenas facultativo”.

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Em São Paulo, o decreto estadual 64.959/2020 torna obrigatório o uso de máscaras em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviço, como supermercados farmácias, bares, restaurantes, padarias, repartições públicas, museus, bancos, centros comerciais e transporte coletivo. A multa para quem descumprir a regra é de R$ 524,59 para pessoas físicas e R$ 5.025,02 para estabelecimentos, multiplicado pelo número de pessoas sem a proteção.

Se esse manifestante que fez o discurso cumprir sua promessa e for flagrado em um estabelecimento comercial sem máscara pela fiscalização, ainda que o proprietário ou funcionários tenham tentado colocá-lo para fora ou pedido que ele usasse máscara, é sobre o comerciante que recairá a maior multa.

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Veja o vídeo:

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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