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08 de julho de 2020, 19h45

Vídeo: Comentarista da CNN Brasil destila preconceito ao afirmar que gays têm mais chances de ter Aids

Ao comentar medida que permitiu doação de sangue por homens gays, Leandro Narloch reforçou argumento que mantinha a proibição em vigor

Foto: Reprodução/CNN Brasil

Em debate na CNN Brasil nesta quarta-feira (8) sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal que permitiu a homossexuais masculinos doarem sangue, o comentarista Leandro Narloch reforçou os preconceitos que justamente mantiveram a proibição em vigor por tanto tempo.

A proibição foi derrubada pelo STF no último dia 9 de maio. Nesta quarta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou a resolução que estabelecia as restrições de forma a atender a decisão da Corte, o que motivou o debate no programa Live CNN.

“A mudança na verdade é pequena, ela vai restringir mais a conduta, e não o tipo de pessoa, a opção sexual do indivíduo. Toda essa polêmica começou porque, não há dúvida disso, os gays, os homens gays, eles têm uma chance muito maior de ter Aids, né?”, disse Narloch.

“Em 2018, uma pesquisa mostrou que 25% dos gays de São Paulo eram portadores de HIV”, completou, sem citar fontes para o suposto estudo.

“Mesmo que esse número seja exagerado, e de fato ele parece mesmo exagerado, o fato é que é dezenas de vezes maior, maior a chance do que na população geral. A questão é que outros critérios para exclusão já restringem os gays que têm comportamento promíscuo, né?”, prosseguiu Narloch.

O comentarista ainda afirmou que a proibição era “injusta com os gays que se cuidavam, fazendo sexo protegido, ou que tinham um parceiro só durante toda a vida. E se você simplesmente fizer uma regra, como já existem em vários hemocentros, que exclui as pessoas que têm muitos parceiros sexuais, ou sexo sem camisinha, você já retira todo o problema”.

“Então aí é uma pequena mudança e, sim, muito boa”, encerrou, minimizando uma importante conquista de igualdade de direitos da comunidade LGBTQI+. A fala de Narloch também ignora o comportamento de risco de homens heterossexuais, que tem baixa utilização de preservativo e, quando casados, apresentam múltiplas parceiras em contexto de infidelidade.

Comentarista se desculpa, mas repete declaração

Mais tarde nesta quarta, depois de uma repercussão negativa nas redes sociais, Leandro Narloch publicou um esclarecimento sobre sua fala.

“Como eu disse, a nova regra de doação é muito boa. Restringe a doação baseada na conduta que aumenta o risco, e não na identidade sexual”, escreveu no Twitter, novamente destacando que a regra também “deixa de ser injusta com gays monogâmicos ou que se protegem”.

No entanto, em sua argumentação, Narloch retoma a declaração que reforça o preconceito e dita bandeiras da comunidade LGBT: “O que não desmente o fato da prevalência de HIV ser mais alta entre gays. Isso é de conhecimento notório e incontroverso – mudar essa situação é justamente uma das boas bandeiras do movimento LGBT”.

“De todo modo, lamento se o comentário pareceu a alguns homofóbico ou preconceituoso. Fiquei muito triste com isso. Não gosto de homofobia e me incomodo bastante em ser rotulado assim”, encerrou o comentarista.

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