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06 de setembro de 2013, 13h11

Vídeo denuncia atentados e campanha de ódio contra indígenas na Bahia

Tupinambás sofrem com ameaças, atentados e enfrentam uma campanha que pretende colocar a população de Buerarema contra a demarcação de suas terras tradicionais

Tupinambás sofrem com ameaças, atentados e enfrentam uma campanha que pretende colocar a população de Buerarema contra a demarcação de suas terras tradicionais 

Da Redação 

Um vídeo (veja no final da matéria), produzido pelo Movimento Projeto Popular (MPP,) denunciou o clima de tensão criado no município de Buerarema, na Bahia, entre indígenas Tupinambás da Serra do Padeiro, latifundiários e a população local.

Os Tupinambás lutam pela demarcação das suas terras tradicionais, que possuem um total de 47 mil hectares. Por conta disso, foi iniciada na região uma campanha de ódio contra os indígenas. Outdoors acusam os tupinambás de serem “falso índios” e afirmam que as demarcações de terra trazem miséria, fome, desemprego, morte e até mesmo genocídio para a região de Buerarema.

Outdoor em Buerarema faz parte da campanha contra a demarcação das terras tradicionais dos Tupinambás da Serra do Padeiro (Foto: Reprodução)

Nesta quinta-feira, 5, um carro oficial do IFBA (Instituto Federal da Bahia) foi interceptado na região por quatro homens e incendiado com a participação da população presente no local. Além do motorista, o veículo transportava três professores do IFBA, entre eles o indígena Edson Kaiapó.

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Após o carro ser interceptado, os colegas orientaram Edson Kaiapó a voltar de táxi para Itabuna. Mas, no caminho de volta, o táxi foi parado por pessoas desconhecidas, que espancaram e ameaçaram de morte o professor do IFBA.

Leia o relato de Edson Kaiapó:

Mais um carro (oficial) incendiado e professores e motorista da Licenciatura Intercultural Indígena do Instituto Federal da Bahia (IFBA) ameaçados. Foi hoje, por volta das 11h: um grupo de quatro capangas interceptou  o carro do IFBA, em São José da Vitória, nas proximidades de Buerarema.

Eu estava com os professores João Veridiano (Antropólogo), a professora Julia Rosa (História Indígena) e o motorista. Tínhamos concluído atividades da LINTER em Olivença e estávamos a caminho de Pau Brasil, onde teríamos atividades na aldeia Caramuru (Pataxó Hã Hã Hae). Os capangas pararam o carro e disseram: “tem um índio no carro” e, em seguidas, fomos violentamente expulsos do carro e o veículo foi levado por eles.

Fui orientado pelos colegas de trabalho a voltar de táxi para Itabuna, uma vez que os capangas demonstravam ódio contra índios. Foi o que eu fiz. No entanto, o taxi foi interceptado em Buerarema e lá fui espancado e ameaçado de morte por pessoas desconhecidas.

O carro do IFBA foi incendiado e jogado no meio da BR, na cidade de São José da Vitória. Os colegas de trabalho estão bem, na delegacia da cidade. E eu, nem sei onde estou… Escondido? De quê mesmo? Não cometi nenhum crime. 

A violência contra nossos povos não recua e toma proporções alarmantes.

As autoridades pouco esforços mobilizam contra esse estado de coisas.

Veja o vídeo do Movimento Projeto Popular: 

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(Foto de capa: Reprodução)


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