questaodegenero

27 de agosto de 2015, 12h08

Visibilidade lésbica e o combate à lesbofobia

O dia 29 de Agosto é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e a semana que antecede a data é chamada de Semana da Visibilidade Lésbica; sua importância se evidencia pela urgente necessidade de se combater o ódio e a violência contra as mulheres lésbicas, recorrentes vítimas da misoginia no Brasil.

Muitas manifestações e atos de violência contra lésbicas se baseiam na ideia de controle e dominação sobre os corpos das mulheres. Por isso, aqueles que agridem mulheres lésbicas muitas vezes têm como motivação a ideia de que elas possuem um comportamento fora da norma imposta às mulheres e que elas não deveriam possuir uma sexualidade que não seja heterossexual.

Não é por acaso que muitos dos casos de violência contra lésbicas são casos de violência sexual; os chamados “estupros corretivos” seguem uma lógica que coloca o homem como autoridade curativa para “resolver” o suposto desvio que é a lesbianidade.

No fim das contas, as dificuldades enfrentadas pelas lésbicas no Brasil são frutos da misoginia e do ódio contra as mulheres que se relacionam com mulheres, como se essa orientação sexual fosse um ato de insubmissão passível de punição.

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Mas nem só de estupros e de violência física se faz um comportamento e uma mentalidade lesbofóbica. No cotidiano, a lesbofobia está enraizada e escondida em muitas das tentativas de controle sobre as mulheres, desde os comentários hostis que são direcionados a mulheres consideradas pouco “femininas” até a divisão sexual do trabalho, que veta determinadas profissões às mulheres para que elas “não se pareçam com homens”, como se ambos os comportamentos, por si, fossem provas de que elas são lésbicas – algo repulsivo para a sociedade.

A lesbofobia faz com que as mulheres precisem ter medo de serem “confundidas” com lésbicas, algo que nos mostra que o combate ao sexismo é fundamental para que exista respeito por mulheres lésbicas; somente assim elas poderão viver em comunidade sem o constante medo da violência e do estupro.

Essas são questões que a garantia do casamento civil entre mulheres não consegue resolver sozinha, pois são valores culturais amplamente aceitos e reforçados. Portanto, a Semana da Visibilidade Lésbica deve nos instigar a refletir um pouco mais sobre nossos comportamentos e ideias machistas. Respeitar a diversidade também deve implicar no respeito pelas diversas maneiras de ser mulher e de ser lésbica. Assim, nos propomos a transformar nosso meio e garantimos o real respeito por mulheres de todas as orientações sexuais.

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Foto de capa: Reprodução / Facebook


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