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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Vítimas da ditadura recebem indenização no Paraguai

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, concedeu na manhã desta quarta-feira (13) uma segunda leva de indenizações a vítimas da ditadura militar comandada por Alfredo Stroessner (1954-1989).

“O Estado deve reconhecer os crimes, repará-los e prevenir sua repetição”, afirmou Lugo. “O passo que estamos dando é imenso, fazer que o Estado seja justo e democrático”, completou.

O primeiro grupo de familiares e vítimas da ditadura foi ressarcido no mês de março. De acordo com o ministro da Fazenda, Dionísio Borda, o governo concedeu no total cerca de R$ 14 milhões para 375 vítimas.

Durante o ato, Lugo voltou a pedir perdão, em nome do Executivo, às vítimas da ditadura, como já havia feito em agosto do ano passado logo após a posse. “Estou esperando, todavia, que os outros poderes de Estado façam o mesmo. O Parlamento e o Poder Judiciário foram cúmplices, encobridores e até algozes”, afirmou o presidente paraguaio.

Há duas semanas, voltou ao Paraguai o ex-ministro do Interior da ditadura, Sabino Augusto Montanaro, que estava foragido em Honduras. Responsável direto por ordens de tortura e desaparições forçadas durante o regime militar, Montanaro está com 86 anos e permanece internado em um hospital policial de Asunción.

Aparente calmaria
O ressarcimento a vítimas da ditadura strosnista acontece num momento de aparente calmaria para o governo Lugo, que vinha enfrentando uma nova crise com a oposição.

Parlamentares voltaram a falar em impeachment do presidente após a realização de um encontro de jovens de partidos de esquerda e organizações sociais em um quartel do Exército paraguaio. Ao longo da última semana, oficiais da reserva ligados ao Partido Colorado, que ao longo de seis décadas confundiu-se com o Estado, lideraram as críticas ao “uso político” do Exército.

“Responsabilizamos os setores reacionários do Paraguai e a grande parte do Parlamento Nacional pela campanha de desprestígio contra o atual governo, a qual tem clara intenção de forçar um juízo político infundado”, afirmou em nota a coordenação do Encontro Latino-americano de Jovens pela Mudança, que reuniu, em Assunção, 1700 jovens de Argentina, Brasil, Uruguai, Bolívia, Venezuela e Paraguai.

No entanto, o deputado Juan Bernardo Ziet, do Partido Colorado, recuou na sua intenção de apresentar no Congresso o pedido de impeachment de Lugo, após manifestações de partidos, mesmo da oposição, afirmando que não apoiariam a proposta.

Além da vitória parcial e temporária no Congresso, não teve sucesso o primeiro protesto massivo contra Lugo convocado por organizações vinculadas ao Partido Colorado. Realizado nesta terça-feira, reuniu cerca de cinco mil pessoas, de acordo com a imprensa paraguaia, ao contrário dos 40 mil que estavam sendo anunciados.

Com informação da Agência Brasil de Fato.


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