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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Vítimas falam sobre explosões de carros da GM

No último dia 8 de maio, uma sexta-feira, cinco jovens capixabas trafegavam por uma rodovia do Espírito Santo (ES-060) que liga as cidades de Piúma e Anchieta. Até aí, nada de anormal. Não fosse o carro um Vectra, da General Motors, fabricado em 1996.

Após rodarem alguns quilômetros, todos perceberam cheiro de gasolina. Logo a seguir, os passageiros do banco traseiro sentiram forte calor nas pernas. Foi quando o banco se incendiou e as chamas alcançaram o teto do carro, se espalhando, projetadas por toda a cabine e atingindo os ocupantes.

O motorista, Charles William Nicolini, saltou do veículo ainda em movimento. O mesmo foi feito pelo passageiro do banco da frente, Simão Bruno Ferreira Mulinari. O automóvel continuou a trajetória por aproximadamente 30 metros e bateu em um muro. Só nesse momento, os demais passageiros, Antônio Mulinari Júnior, Rafael Bonadiman Bisse e Mateus Gomes Alves conseguiram sair.

Charles, Simão e Antônio tiveram queimaduras nas faces, braços e pernas e ficaram internados em Anchieta. O primeiro por 11 dias e os outros dois 16. Já Rafael e Mateus, os dois últimos a saírem do Vectra, estão num hospital de Vitória, capital capixaba. O estado deles é grave. Ambos tiveram queimaduras em mais de 70% do corpo.

Antonio, que avisou os companheiros sobre o incêndio, conta que o fogo começou embaixo do banco traseiro. “Senti um forte calor nas pernas, vindo da parte debaixo do banco e vi uma labareda ao meu lado. Então, gritei que o carro estava pegando fogo”, diz.

Este é mais um dos 47 incêndios ocorridos com o modelo Vectra Brasil afora. Em diversos estados, nas cinco regiões do país, já foram registrados casos. São 24 mortes por carbonização. O exemplo mais recente aconteceu na última sexta-feira, dia 19, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Segundo a advogada das vítimas do incêndio acontecido no Espírito Santo, Maria Margareth de Paiva – que cuida de outras ações contra a empresa – o vício de concepção do veículo está escancarado. “Há problemas gravíssimos na bomba de combustível do Vectra e a GM conhece a questão. Mesmo assim, aposta na impunidade ou ainda que haja condenação em ações indenizatórias, pois a montadora se ampara nos valores irrisórios que a jurisprudência atribui a tais situações”, comenta. Em 2007, apenas na matriz, localizada na cidade paulista de São Caetano do Sul, a fábrica faturou R$ 21 bilhões.

Por meio de uma sentença proferida pela juíza Amini Haddad Campos, de Mato Grosso, que julgou acidente semelhante, quando quatro pessoas morreram carbonizadas no município de Barra do Garças (MT), a multinacional estadunidense foi intimada a fazer o recall do Vectra. Apesar disso e dos recorrentes casos de explosões, a GM se nega a realizar o procedimento.

A reportagem da Fórum, que relata o problema desde a edição número 72, de março deste ano, entrou em contato com a assessoria de imprensa da montadora, mas não obteve retorno.


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