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02 de fevereiro de 2012, 09h48

‘Waltz with Bashir‘ retrata horrores da a guerra no Líbano

Foto: Divulgação

O documentário "Waltz with Bashir", dirigido pelo israelense Ari Folman mistura animação, histórias em quadrinhos e o  rock‘n‘roll para contar a história verídica de um ex-soldado profundamente afetado pelos traumas de ter servido durante a Guerra Civil no Líbano, no início da década de 80. Sem se lembrar exatamente do que aconteceu naquele período, o personagem central do longa – na verdade, o próprio diretor – parte em uma viagem física e mental em busca de seu passado.

Apesar de "animado", "Waltz with Bashir" é praticamente uma aula de geopolítica: oferece um panorama detalhado dos eventos e personagens que levaram ao massacre de Sabra e Shatila, duas vilas palestinas ao sul do Líbano que, durante três dias em 1982, foram destruídas por milícias cristãs falangistas do presidente Bashir Gemayel – tudo com o consentimento do então ministro da defesa de Israel, Ariel Sharon. Mais que isso, contudo, o filme é um mergulho profundo e altamente oportuno, em tempos de guerras não só em Israel mas no Iraque, Afeganistão, Georgia etc., na mente de jovens que, como o próprio Folman define, têm "a guerra no seu DNA".

"Este é um filme antiguerra. Em filmes americanos, mesmo nos que criticam a guerra, você sempre vai ter um certo glamour em torno da guerra: a glória, a amizade entre os soldados, a masculinidade, a bravura. Você vê e fala: ‘sim, é um filme antiguerra, mas eu quero ser um desses caras‘. Com ‘Bashir‘, quero que os jovens vejam e não queiram se sentir parte disso", disse o diretor em entrevista a agência G1 em maio, quando a animação foi exibida pela primeira vez, no Festival de Cannes.

Independente
Produzido de maneira praticamente artesanal, com depoimentos captados em vídeo e depois transformados em animação em flash e algum CGI pelas mãos do diretor de arte russo-israelense David Polonsky, "Waltz with Bashir" ainda não fez sua estréia oficial no circuito comercial internacional mas vem gerando reações positivas em diversos festivais pelos quais passou. Surpresa até para o diretor.

"Quando começamos este filme tínhamos US$ 80 mil de orçamento. Quatro anos atrás, não planejávamos competir em Cannes e sequer sabíamos como juntar dinheiro para o filme. Fiz então um trecho de três minutos, levei para Toronto e consegui mais US$ 300 mil ou US$ 400 mil. Peguei esse dinheiro, fiz mais 20 minutos e levei para a Alemanha. E assim por diante, a cada 20 minutos pegava a mala com DVDs e trazia mais dinheiro para casa para fazer o filme. Até acabar com os US$ 2 milhões finais de orçamento", explica. 

O documentário será exibido nesta quarta-feira, 8, no Festival do Rio. No final do mês, os paulistas também poderam conferir na 32º Mostra Internacional de Cinema.

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