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08 de junho de 2015, 14h26

Zé Celso e atores do Oficina podem ser presos por encenação de peça

Motivo da ação é a peça Acordes, encenada em 2012 na PUC-SP; padre de Goiás assistiu ao espetáculo pelo Youtube e processou judicialmente os artistas.

Motivo da ação é a peça Acordes, encenada em 2012 na PUC-SP; padre de Goiás assistiu ao espetáculo pelo Youtube e processou judicialmente os artistas

Por Redação

O diretor José Celso Martinez Corrêa, mais conhecido como Zé Celso, e os atores Tony Reis e Mariano Mattos Martins, do Teatro Oficina, correm risco de ter a prisão decretada na tarde desta segunda-feira (8) pela encenação da peça Acordes, em 2012, na PUC-SP. A obra é baseada em texto do dramaturgo alemão Bertold Brecht. As informações são do blog do jornalista Miguel Arcanjo Prado, editor de Cultura do portal R7.

Acordes foi considerada ofensiva pelo padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, de Goiás, que, após assisti-la pelo Youtube, entrou com ação judicial contra os artistas. De acordo com Prado, os três foram intimados pela Justiça a comparecer às 16h de hoje no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Esta é a segunda vez que isso acontece – na primeira, em novembro de 2014, os atores se recusaram a assinar um documento de reconhecimento de culpa.

Confira parte do texto de Miguel Arcanjo Prado sobre o episódio (para ler na íntegra, clique aqui):

Entenda o caso

Segundo os artistas do Oficina, a sessão especial de Acordes na PUC-SP, da qual Zé Celso é ex-aluno, foi feita a convite de alunos, professores e funcionários que estavam em greve em 2012.

Estes se manifestavam contra a imposição do nome da professora Anna Maria Marques Cintra como reitora da instituição, já que esta havia ficado em terceiro lugar na votação com a comunidade acadêmica.

Por isso, o Oficina foi convidado para apresentar a peça que falava sobre autoritarismo e o papel popular para provocar mudanças.

Para adequar a peça ao contexto da Pontifícia Universidade Católica, Zé Celso colocou a imagem de um religioso para representar a figura do autoritarismo, na forma de um boneco parecido com o Papa Bento 16.

Na metáfora proposta pela peça, o boneco é decapitado, como forma de simbolismo da ruptura com o autoritarismo. Segundo o Oficina, a própria Reitoria autorizou a entrada do grupo na PUC.

O vídeo com a encenação foi parar no YouTube, onde o Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, de Goiás, o assistiu e resolveu então entrar na Justiça contra o Oficina e ainda abriu um inquérito policial.

O padre utilizou o artigo 208 do Código Penal, que criminaliza o escarnecimento de alguém publicamente por motivo de crença ou culto religioso e prevê até um ano de cadeia.

Segundo o grupo, Zé Celso, Mariano e Tony afirmaram à Justiça que jamais tiveram o intuito de zombar de objetos religiosos ou escarnecer da fé católica. Explicaram  que tratava-se de uma obra de arte teatral feita em um cenário de liberdade de expressão artística, garantida pela Constituição.

Na audiência de novembro do ano passado, os atuadores do Oficina não aceitaram a proposta de acordo feita pelo representante do Ministério Público, Matheus Jacob Fialdini, que queriam que estes assumissem a culpa para encerrar o caso.

Como eles se recusaram a assinar o documento, a nova audiência desta segunda-feira foi marcada para definir a sorte dos três artistas.

O Oficina é considerado o mais importante grupo teatral do Brasil, e Zé Celso é um dos encenadores latino-americanos mais reconhecidos em todo o mundo, tendo sido perseguido, preso e exilado durante a ditadura civil-militar que vigorou no Brasil entre 1964-1985.

(Foto: Reprodução/Youtube)


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