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07 de julho de 2015, 11h22

O inacreditável Luiz Felipe Lampreia, o diplomata

Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, contesta artigo de ex-ministro das Relações Exteriores de FHC sobre a vitória do "não" em referendo na Grécia

Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, contesta artigo de ex-ministro das Relações Exteriores de FHC sobre a vitória do “não” em referendo na Grécia Por Reginaldo Nasser*, em seu Facebook Vejam o que diz sobre a crise na Grécia Luis Felipe Lampreia – expoente da diplomacia brasileira, ministro de FHC, pensador de Relações Internacionais etc etc, e agora também consta em sua identificação que é sociólogo (leia artigo aqui). Prepare-se para o que vai ler. Você vai entender o que é um diplomata “bem preparado”. Ele anuncia que vai indicar “alguns elementos importantes para entender as raízes da questão” na...

Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, contesta artigo de ex-ministro das Relações Exteriores de FHC sobre a vitória do “não” em referendo na Grécia

Por Reginaldo Nasser*, em seu Facebook

Vejam o que diz sobre a crise na Grécia Luis Felipe Lampreia – expoente da diplomacia brasileira, ministro de FHC, pensador de Relações Internacionais etc etc, e agora também consta em sua identificação que é sociólogo (leia artigo aqui).

Prepare-se para o que vai ler. Você vai entender o que é um diplomata “bem preparado”. Ele anuncia que vai indicar “alguns elementos importantes para entender as raízes da questão” na Grécia: “transcorridos 2.400 anos, os atuais gregos são completamente diferentes daquele povo extraordinário como, por exemplo, os mexicanos de hoje nada têm que ver com os astecas ou os maias”. COMENTÁRIO: Que fantástico! Perguntinha socrática que eu faria ao eminente pensador: há algum povo no mundo que permanece o mesmo depois de 2.400 anos?

Mas pior que isso é o preconceito implícito: hoje o povo grego não é “extraordinário”? O que isso quer dizer? Vamos tentar entender recorrendo a outros trechos do artigo. “A Grécia é provavelmente a nação campeã mundial do jeitinho”: aposentados recebem muito, há fraudes, professores recebem muito e são improdutivos, etc etc. Mas o diplomata-sociólogo não identifica grupos nem classes (não adota Durkheim, nem Marx, nem Weber… algo sui generis).

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Mas tem mais. Diz ele: “Mas não há apenas pobreza na Grécia”. Ele não falou nada de pobreza e introduziu um “MAS”. E, cá entre nós, que sacada sociológica falar que existe pobreza. E arremata como um sociólogo afinadíssimo: “Quando estive lá, dois anos atrás, vi no litoral Atenas (…) diversas marinas repletas de barcos de luxo, só comparáveis às de Miami ou Long Beach. É apenas uma pequena amostra e não sei de quem são os barcos”. Com certo sarcasmo, ele reconhece que a “Grécia tem talentos INACREDITÁVEIS (..) toma grandes empréstimos internacionais que nunca paga, mas sempre consegue renegociar e renovar.”

Venhamos e convenhamos. O Brasil também tem talentos INACREDITÁVEIS, com excelentes salários pagos pelo contribuinte brasileiro, para falar coisas INACREDITÁVEIS como as que acabamos de ler.

*Reginaldo Nasser é professor do curso de Relações Internacionais da PUC-SP e do programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP)

(Foto: Reprodução/Facebook)

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