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04 de março de 2019, 11h16

“O mais chocante é que ninguém no ônibus fez nada”, diz estudante vítima de homofobia

Um desconhecido deu dois socos em Luiz Otávio Crisóstomo e ainda o ofendeu: “Aos gritos, ele me chamou de ‘viado’ e atingiu a classe LGBT, dizendo que somos proliferadores de doenças”

Foto: Reprodução/Instagram Luiz Otávio Crisóstomo
O carioca Luiz Otávio Crisóstomo, 20 anos, foi agredido com dois socos, além de ter sido ofendido por um desconhecido, dentro de um ônibus em São Paulo. A motivação: homofobia. O fato ocorreu na última quarta-feira (27), mas Luiz ainda está assustado com o ataque gratuito. Para o estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, que assumiu a orientação sexual aos 14 anos, o mais chocante é que ninguém que estava no ônibus fez nada para interceder a seu favor. Em entrevista à Fórum, Luiz conta que o caso ocorreu por volta de 12h30. “Eu estava saindo da faculdade, em direção...

O carioca Luiz Otávio Crisóstomo, 20 anos, foi agredido com dois socos, além de ter sido ofendido por um desconhecido, dentro de um ônibus em São Paulo. A motivação: homofobia. O fato ocorreu na última quarta-feira (27), mas Luiz ainda está assustado com o ataque gratuito.

Para o estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, que assumiu a orientação sexual aos 14 anos, o mais chocante é que ninguém que estava no ônibus fez nada para interceder a seu favor.

Em entrevista à Fórum, Luiz conta que o caso ocorreu por volta de 12h30. “Eu estava saindo da faculdade, em direção ao trabalho, no ônibus que frequentemente pego, em direção à Avenida Brigadeiro Faria Lima. Sentei no último banco. Tinha um rapaz do lado da janela, eu no meio e uma amiga, que trabalha comigo, do outro lado, no caso, no corredor”, conta.

“De repente, um outro rapaz chegou e jogou a mochila na nossa frente. Eu não havia reparado, pois estava olhando o celular e conversando com minha amiga. Ela me disse depois que pensou que pudesse ser um assalto. Mas, de repente, ele começou a me socar, me deu um soco no nariz e, quando eu fui olhar para ver o que estava acontecendo, ele me deu outro soco, no olho”, relembra.

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Luiz conta que ficou sem reação, incrédulo. Só conseguia repetir: “Não sei quem você é”. Nesse momento, o homem começou as agressões verbais. “Aos gritos, ele me chamou de ‘viado’ e atingiu a classe LGBT, dizendo que somos proliferadores de doenças, mais especificamente Aids. Além disso, repetia que tinha transado comigo e que eu havia passado doença para ele. Gritava que era caso de polícia, que poderia me levar para delegacia e que aquilo era crime”.

Luiz Otávio ficou com o rosto marcado após ser agredido em um ônibus em São Paulo – Foto: Arquivo Pessoal

Luiz assegura que não conhece o homem. “Eu também não tenho nenhuma doença. O mais chocante para mim é que tudo isso demorou cerca de cinco minutos e ninguém mo ônibus fez absolutamente nada. Um homem tentou filmar, mas não conseguiu, pois foi ameaçado também. O rapaz ao meu lado estava de fone nos ouvidos e continuou assim durante o ataque. No final, ainda perguntou se eu não conhecia o agressor e se eu nunca tinha feito nada para ele, dando a entender que a culpa era minha. Mas eu nunca tinha visto ele e a culpa não era minha”, protesta.

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Quanto ao restante das pessoas no ônibus, segundo o estudante, não houve reação. “Ninguém fez nada, ninguém gritou, ninguém pediu para o motorista parar, o motorista não parou e o cobrador também não fez nada”, conta.

Testemunha

Em seguida, ainda de acordo com Luiz, o homem desceu do ônibus. “Depois, eu esperei chegar minha vez, desci e uma menina veio prestar solidariedade, falando que se eu quisesse ir à delegacia ela poderia ser testemunha. Eu peguei o telefone dela, mas acabei não prestando queixa, não fui à delegacia e não registrei boletim de ocorrência, porque tudo isso está demorando muito para processar na minha cabeça”.

Luiz, que vive em São Paulo há dois anos, voltou para o Rio de Janeiro. “Depois, eu descobri que existe uma delegacia específica para isso e na próxima semana eu pretendo ir até lá”, completa.

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