o colunista

por Cleber Lourenço

22 de junho de 2019, 06h00

O nome do hacker: acesso remoto

Cleber Lourenço: "É fato! Nem o The Intercept Brasil, nem Leandro Demori (editor executivo do portal) chegaram a falar sobre quem ou como a fonte conseguiu acesso aos documentos da lava jato"

É fato! Nem o The Intercept Brasil, nem Leandro Demori (editor executivo do portal) chegaram a falar sobre quem ou como a fonte conseguiu acesso aos documentos da Lava Jato.

Quem surgiu com as teorias amalucadas sobre um suposto Hacker russo (soviético para alguns) foi Sérgio Moro e a MPF em Curitiba (apelidada carinhosamente por este colunista como Gestapo de Curitiba), a extrema-direita não perdeu tempo em validar a suposição com outras teorias mais vergonhosas envolvendo bitcoins, erros grosseiros de escrita em inglês e o fantasma da União Soviética.

Mas e se não existisse hacker algum? E se fosse na verdade um descuido, um ato falho que tenha desestruturado aqueles que se julgavam mais eternos que os diamantes?

Por um lado a teoria do  hacker é cômoda, permite aos envolvidos tentarem desmerecer os vazamentos, partidarizarem o tema e ainda satisfazer as hordas de malucos inquietos e que defendem todo e qualquer sinal de calamidade no Palácio do Planalto. Vamos aos fatos:

4 de junho de 2016

Isabel Groba – 07:39:57 – Alguém vai hoje ou amanhã na FT? Eu precisava que fosse ligado o computador que eu uso para fazer acesso remoto

Pelo visto o acesso remoto era comum no MPF de Curitiba, um ano depois da mensagem de Isabel Groba, Deltan mostra ligeira preocupação com o uso indiscriminado do acesso remoto nas mensagens com o colega Carlos Fernando.

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13 de março de 2017

Deltan para Carlos Fernando

13:11:42 Deltan Não comenta com ninguém e me assegura que teu telegram não tá aberto aí no computador e que outras pessoas não estão vendo por aí, que falo

Isso explicaria a história bizarra do Hacker que tentou invadir o telefone do Moro dias antes da primeira denúncia do The Intercept Brasil.

Alguém, no caso certamente cantou a bola para o ministro, e então começou a construção da narrativa do “Hacker aqui” com Moro, aparentemente algo para resguarda-lo de alguma coisa que estaria por vir.

Agora, alguém acessou os PCs de quem ficava em acesso remoto e entregou tudo de forma delibera?

Resta saber se alguém internamente deixou o acesso remoto aberto para registrar tudo de propósito ou alguém se aproveitou de algum deslize e registrou as conversas.

Um caminho mais confortável, uma trama de nível internacional no lugar do desleixo de alguém. É algo muito mais plausível do que o vexame da Revista IstoÉ.

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De todas as falhas que o jornalismo brasileiro já cometeu, desde o episódio envolvendo a escola base até o caso Eloá desta vez a revista se mostrou determinada em enterrar o pouco que havia sobrado de credibilidade do jornalismo brasileiro.

Uma teoria cheia de falhas, entre elas a mais gritante, a matéria diz:

“jornalista Glenn Greenwald, dono do site The Intercept Brasil”.

Acontece que o dono de fato do Intercept é Pierre Omidyar, fundador do eBay!

O pior de tudo é assistir grandes portais de jornalismo comprando uma narrativa digna de portais de extrema-direita, fazendo a realidade dobrar aos fatos.

Dentre as hipóteses estapafúrdias e delírios paranoicos, levanto a hipótese de trabalho interno, nada de hackers, espiões ou roteiros de filmes do 007, trago para vocês a vida real, menos emocionante, menos dinâmica e mais possível. Para a infelicidade da extrema-direita brasileira nome do hacker pode ser: Aceso remoto.

 

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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