Andrea Caldas

política e educação

17 de junho de 2019, 21h07

O ocaso da razão e da esperança? É preciso resistir

Andrea Caldas: “Me recuso a acreditar que chegamos até aqui, como humanidade, para assumirmos - diante das novas gerações - que a única saída é a volta do tacape e a lei do olho por olho”

Eu tive o privilégio de nascer em uma família plural. Sou de uma família de eslavos – onde uma parte era anticomunista/stalinista – e de gaúchos – onde outra parte era comunista.

No meio de tudo isso, fui aprendendo a ouvir diversas posições. Nunca achei que tinha de estabelecer uma régua entre o bem e o mal, a partir de posições ideológicas.

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Mas, fiz escolhas que acabaram me colocando, ideologicamente, no campo da esquerda.

Fruto dessa ambiência plural, tive o privilégio de cultivar amizades nos mais diversos espectros políticos, religiosos e culturais.

E acredito que me enriqueci delas.

Meu filtro passou a ser – e cada vez mais o é – o da existência, o das atitudes.

Quem é preconceituoso, quem escarnece do sofrimento de outrem, quem é intolerante, quem é arrogante, quem é insensível com as falhas e dores – seja na esquerda, ao centro, ou na direita – não faz parte do meu arco de convivência.

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Confesso que acreditei nesse ideal de civilização palmilhado pelas luzes da razão, fertilizado pela convivência democrática – com todos os seus limites e contradições.

Hoje, vejo que esse ideário, que pude experimentar existencialmente na família e entre amigos, se esvai como prática possível no terreno público, no panorama histórico.

Alguns, talvez me acusem de ingenuidade, mas, verdadeiramente, me recuso a acreditar que chegamos até aqui, como humanidade, para assumirmos – diante das novas gerações – que a única saída é a volta do tacape e a lei do olho por olho.

Eu recebi, da geração que me antecedeu, a esperança na humanidade. Me recuso a deixar menos que isso para as gerações que virão.

Por isso, sigo sendo pedagoga e professora. No dia em que deixar de acreditar, deixarei meu lugar e minha profissão.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.