Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

31 de janeiro de 2019, 17h49

O pragmatismo do PCdoB ao apoiar Rodrigo Maia

Compreendo o pragmatismo do PCdoB, principalmente no contexto em que as liberdades individuais estão em perigo e a extrema direita tosca e antidemocrática busca suprimir a esquerda, seus partidos e movimentos sociais.

Foto: Richard Silva (PCdoB)

OPINIÃO – O PCdoB confirmou seu pragmatismo ao decidir que a legenda apoiará  Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados. Mas como explicar para a opinião pública esse apoio quando outros partidos de esquerda, como PT e PSOL, caminham em sentido contrário?

Em tempo recente a esquerda foi assombrada e perseguida pela gestão de Eduardo Cunha (MDB-RJ). Enquanto presidente, o emedebista fazia das votações a manifestação da sua própria vontade, desprezando o regimento da Casa. Se o resultado não lhe favorecia, no dia seguinte arranjava algum jeito de votar o texto novamente até aprovar.

A candidatura de Maia chega às vésperas da eleição com o apoio de um amplo conjunto de legendas. Uma parte do apoio é constituído por partidos de centro-direita e direita, incluindo o PSL; outro é composto de legendas de esquerda (PCdoB e PDT) e de centro (PPS e Solidariedade). Portanto, na justificativa do PCdoB o partido não participa nem participará de nenhuma composição com o PSL.

De acordo com lideranças do PCdoB ouvidas pelo blog, Maia se comprometeu com uma gestão que respeite o regimento assegurando espaço à oposição. Portanto, caso vença o democrata assume, quer queira quer não, o compromisso inarredável de atuação democrática que preserve o pluripartidarismo.

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Para o governador do Maranhão Flávio Dino a eleição da Câmara não é uma disputa ideológica entre esquerda e direita, ou entre situação e oposição. Para ele o acordo de um partido de esquerda a um candidato de direita busca a proporcionalidade para a distribuição das funções da Mesa Diretora e nas comissões e relatorias.

Compreendo o pragmatismo do PCdoB neste ponto, tendo em vista que no atual cenário nenhum, absolutamente nenhum candidato que represente pautas de interesse da esquerda, tenha alguma chance de chegar sequer ao segundo turno.

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