OPINIÃO

Getúlio Vargas é a memória de um povo, e sem história, podemos sufocar o destino – Por João Vicente Goulart

Nossa luta hoje é a reunião e coesão das forças democráticas para libertar o Brasil. Mais de dez partidos estão juntos com Lula pela democracia, pois também como Vargas não se rendeu. Não claudicou, não titubeou nem desistiu com as injustiças

Créditos: Reprodução
Escrito en OPINIÃO el

O sofrimento faz parte daqueles que lutam com tenacidade e sabedores do seu destino, daqueles que não temem a morte e daqueles que sabem o lado certo da história.

A democracia, a legalidade, a justiça e a defesa intransigente do bem comum, é o gerador espiritual do homem que tem destino, do homem que tem a sabedoria que é a história, e não o julgamento eventual dos déspotas, que lhe farão o julgamento na condução de um povo, na condução de uma Nação de todos.

As injustiças passageiras da história, assimiladas com a grandeza do altruísmo, fazem parte da essência e do caráter do líder autêntico, desses homens que passam pela vida predestinados a fazer parte da memória coletiva do povo brasileiro, daqueles que fazem de suas vidas, um instrumento pleno da democracia, da liberdade e da justiça social, e de sua morte a certeza da permanência perene de sua luta intransigente pelos direitos dos trabalhadores brasileiros.

Hoje, 24 de agosto, não poderíamos deixar de lembrar o presidente Getúlio Vargas e suas conquistas sociais em favor do nacionalismo brasileiro e a dignidade do seu holocausto em defesa da justiça social.

Detenho-me aqui para serem lembrados nos 68 anos de sua morte, algumas das muitas conquistas obtidas pelos trabalhadores em seus governos.

No ano dos 200 anos de independência, faz-se mister lembrar neste dia, o grande documento histórico que nos legou Getúlio Vargas na sua Carta Testamento:

“Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre”.

"Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão”.

Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

Não podemos esquecê-lo, pois suas realizações foram as maiores que qualquer outro governo tenha feito nos anos republicanos de nossa Pátria.

Criou o Departamento de Correios e Telégrafos, instituiu a Carteira de Trabalho, estabeleceu o voto secreto, o voto feminino e a justiça eleitoral no país, criou e implantou a CLT, e defendeu as medidas que garantiram os direitos trabalhistas na Constituição de 1934, criou o Código Florestal, fundou em 1941, a Companhia Siderúrgica Nacional, criou a Petrobrás, criou o BNDE (atual BNDES), regulamentou o trabalho do menor aprendiz.

É por esta trajetória que hoje homenageamos Getúlio, o Pai dos pobres, como alguém que fez de sua vida uma luta permanente em prol das classes menos favorecidas e imprimiu na economia o que hoje vários partidos tentam resgatar como “NACIONAL DESENVOLVIMENTISMO”.

Temos uma eleição pela frente para libertar o Brasil dos opressores, do fascismo, do ódio e de uma economia criminal de Guedes em favor do sistema financeiro. Um Bolsonaro fantoche, debochador da dor de 700 mil famílias enlutadas pela Covid-19, um presidente desmoralizado internacionalmente, 30 milhões de brasileiros com fome, quase 70 milhões em insegurança alimentar, analfabetismo em crescimento e a nossa democracia sendo ameaçada.

Vargas voltou e 1950, democraticamente depois de um exílio, nos braços do povo. Não se rendeu e venceu.

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.