VÃO USAR PRA QUE?

Exército libera até 5 armas de uso restrito para “acervo particular” de PMs

Medida também abrange bombeiros militares e oficiais de inteligência; Regra anterior permitia até 2 armas de uso restrito de quaisquer calibres

Munição.Créditos: Jay Rembert's Imagens/Canva
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Uma portaria do Comando do Exército publicada no Diário Oficial da União na última terça (23) autoriza que militares do Corpo de Bombeiros, das PMs, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), entre outras corporações, possam ter até cinco armas de uso restrito em seus acervos particulares.

A norma inclusive só é válida para armamentos adquiridos para “uso particular”. Entre os “armamentos de uso restrito” estão justamente os destruidores fuzis. A pergunta que fica é: o que os agentes farão com cinco fuzis guardados em suas residências? Vão proteger suas famílias da violência urbana, patrulhar o bairro nas horas vagas ou fazer bicos de guarda-costas?

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A nova regra permite o porte de 600 munições por arma. Pelo menos a liberação não abarcou as automáticas, capazes de produzir verdadeiras rajadas de balas com um simples toque no gatilho. No caso das semiautomáticas, estão proibidas as que têm potência de energia cinética superior a 1750 joules. A medição é feita a partir da velocidade que a bala adquire logo que deixa o cano do armamento.

A regra anterior permitia até 2 armas de uso restrito para os acervos pessoais dos agentes, que desde 2019 podiam ser de quaisquer calibres após desregulamentação promovida por Bolsonaro. Antes disso havia um pouco mais de restrições.

Para além de eventuais agentes amantes de armas que desembolsem fortunas para comprar fuzis para os seus acervos pessoais, quem parece se alegrar com a nova portaria do Exército é a indústria bélica e o lobby armamentista, representado no Brasil pelo Proarmas.

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.