OPINIÃO

Historicamente, a imprensa que mais sabota o Brasil é a própria imprensa nacional

Nem os diferentes grupos de comunicação dos países imperialistas atuam tanto contra nossos interesses como fazem rotineiramente Grupo Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Revista Veja, Jovem Pan e companhia.

Partido da imprensa golpísta joga contra o Brasil.Créditos: Reprodução / Conversa Afiada
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Os recentes ataques da imprensa hegemônica brasileira a Lula, após o presidente (de forma correta e reafirmando nosso peso diplomático) ter comparado o massacre de Israel em Gaza às ações de Hitler contra os judeus, corroboram uma triste realidade que historicamente temos constatado. A imprensa que mais sabota o desenvolvimento econômico e diplomático do Brasil é a própria imprensa nacional.

Nem os diferentes grupos de comunicação dos países imperialistas atuam tanto contra nossos interesses como fazem rotineiramente Grupo Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Revista Veja, Jovem Pan e companhia. No caso da fala de Lula, nos veículos internacionais não foi registrada tamanha repercussão negativa; tampouco algum líder mundial se manifestou com tanta virulência (exceto, evidentemente, o carniceiro Benjamin Netanyahu).

Frente à essa realidade, a desonesta manobra discursiva da mídia hegemônica foi tentar colar em Lula o rótulo de “antissemita” e criar a falsa narrativa de que a declaração do presidente contra o genocídio do povo palestino não foi bem aceita no exterior. Na Folha de São Paulo, um professor chamado Wilson Gomes chegou a comparar o discurso internacional de Lula às atuações anódinas de Bolsonaro em seu cercadinho do Alvorada.

No entanto, conforme constatou levantamento realizado pelo DataFórum, a repercussão da fala de Lula foi majoritariamente positiva em publicações em inglês nas redes sociais, somando 67,6% das reações de internautas em postagens no Instagram e Facebook sobre o assunto. Portanto, estamos diante de mais um exemplo do clássico viralatismo da imprensa tupiniquim.  

Na longínqua segunda metade da década de 1940, quando Getúlio Vargas criou a campanha “O Petróleo é Nosso!”, que visava a soberania do Brasil sobre seus recursos naturais, o jornalista e fundador do jornal Tribuna da Imprensa, Carlos Lacerda, uma espécie de Arnaldo Jabor da época, escreveu vários artigos contra esta iniciativa para os principais veículos de comunicação do país.

Ainda no contexto de criação da Petrobras, avançando para os anos 50, o Correio da Manhã, no típico bovarismo dos noticiários, defendia a participação estrangeira na exploração do petróleo brasileiro, “tendo em vista as carências nacionais, tanto em recursos técnicos, quanto em financeiros”.

Na década seguinte, os principais veículos de comunicação do país, em peso, apoiaram o golpe de Estado que instaurou uma ditadura militar completamente submissa aos ditames de Washington, por meio de editoriais que exaltavam os “bravos militares” que “salvaram” o Brasil do “perigo comunista”. Aliás, como demonstrou Suelen Cristina Marcelino de Campos, em sua dissertação de mestrado pela USP, a imprensa contribuiu de forma decisiva para incutir o medo do comunismo na população brasileira (como “comunismo”, entende-se qualquer política social ou tentativa de diplomacia autônoma, fora das asas da Casa Branca). 

No contexto da chamada Nova República, a mídia hegemônica, já tendo a televisão como carro-chefe, sobretudo a Rede Globo, vibrou com as políticas entreguistas dos governos neoliberais de Collor, Itamar Franco e, principalmente, Fernando Henrique Cardoso. A ordem do dia era passar todo o patrimônio nacional para as mãos dos grandes capitalistas internacionais. “Privatização” virou palavra mágica nos noticiários.

Contudo, vieram os governos petistas de Lula e Dilma Rousseff, que, de certa forma, assim como Vargas meio século antes, frustraram as pretensões pró-imperialistas da grande imprensa. Os mesmos veículos de comunicação (ou quase os mesmos) que outrora se opuseram ao projeto varguista de soberania sobre nossos recursos naturais, financiaram no âmbito discursivo a maior operação de lesa-pátria da história brasileira, a Lava Jato, cujo objetivo era quebrar a Petrobras para facilitar sua total transferência para o capital externo. Se Vargas tinha o slogan “O Petróleo é Nosso!”, o lema da grande mídia é “O Petróleo é Deles!”. Inclusive, em uma grotesca fake news, Carlos Alberto Sardenberg, comentarista de economia do Grupo Globo, chegou a afirmar que o pré-sal não existia.

Não por acaso, logo nos primeiros meses do 3º mandato presidencial de Lula, um colunista da Folha de São Paulo escreveu que o Brasil (potência regional e uma das maiores economias do planeta) deveria se abster de ser protagonista na geopolítica global, se voltando apenas para questões internas. Também é importante destacar a atual campanha midiática contra a nova política industrial proposta pelo governo federal. Nessa lógica, em todos os países do planeta (notadamente nas nações centrais do capitalismo) o Estado pode fomentar medidas para seu desenvolvimento econômico, menos o Brasil, é claro! Por isso, no imbróglio diplomático entre Tel Aviv e Brasília, Globo, Estadão, Veja, Jovem Pan e congêneres são 100% sionistas.

Em suma, conforme observado neste breve histórico, qualquer mínima tentativa de um projeto autônomo para o Estado brasileiro e/ou que beneficie o grosso da população encontrará forte oposição naquilo que Paulo Henrique Amorim bem definiu como “PIG” (Partido da Imprensa Golpista). Utilizando uma metáfora futebolística, se a grande imprensa brasileira fosse um jogador, sua principal função tática seria marcar gols contra.