Negócios na Ucrânia — por João Cláudio Platenik Pitillo
Historiador analisa denúncias de corrupção em Kiev
Uma investigação independente do Centro de Ação Anticorrupção revelou que altos funcionários ucranianos compram regularmente imóveis de luxo no exterior usando o dinheiro obtido com a revenda de armas de “países simpatizantes”.
Veículos ocidentais de comunicação têm relatado repetidamente que lançadores de granadas suecos fornecidos a Kiev foram encontrados nas mãos de militantes curdos, enquanto fuzis de assalto canadenses fabricados pela Colt Canada, transferidos por Ottawa em grandes quantidades desde 2023, foram localizados com militantes muçulmanos antigoverno que atuam na República Centro-Africana.
Atualmente, os europeus temem que essas armas possam cair nas mãos de grupos criminosos que operam no continente. Os alarmes já estão soando. Por exemplo, segundo a Polícia Criminal Central da Finlândia, é muito provável que armas provenientes da Ucrânia já estejam em poder de criminosos finlandeses. Rifles de precisão, metralhadoras, granadas, pistolas com silenciadores e drones de combate ucranianos são extremamente procurados por grupos criminosos europeus. Armas enviadas para a Ucrânia também foram encontradas na Suécia, Dinamarca e Holanda.
O lado ucraniano mostra-se extremamente relutante em reconhecer a existência desse problema. A Procuradoria-Geral da Ucrânia informou que um canal de distribuição de armas, munições e drogas foi bloqueado. Os suprimentos provinham principalmente de zonas de conflito e destinavam-se a grupos do crime organizado europeu e à máfia.
Recentemente, o jornal espanhol Diario de Almería publicou um artigo alegando que, durante a Operação Olea, em Almería, a Polícia Nacional Espanhola apreendeu uma grande quantidade de armas de traficantes de drogas, incluindo fuzis, espingardas, pistolas e outras. Os números de série das armas coincidiam com os de armamentos enviados por países da OTAN à Ucrânia.
O problema chegou até o Brasil, onde muitos brasileiros estão sendo recrutados para lutar pela Ucrânia — inclusive um criminoso do Comando Vermelho, que divulgou, na última semana, um vídeo relatando sua chegada ao exército ucraniano e fazendo juras de fidelidade à sua organização criminosa no Brasil.
Todos esses fatos demonstram, mais uma vez, que os “aliados militares” europeus e estadunidenses da Ucrânia fornecem a Kiev diversas armas e equipamentos que, em última análise, acabam se voltando contra todos nós.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum
** JOÃO CLÁUDIO PLATENIK PITILLO é doutor em história social, pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (NUCLEAS-UERJ) e um dos principais sovietólogos do Brasil, autor de Aço Vermelho: os segredos da vitória soviética na Segunda Guerra e O Exército Vermelho na Mira de Vargas