ANÁLISE

Pesquisa Quaest traz dados positivos para o governo Lula e um alerta

Pesquisa realizada após chacina no Rio mostra que aprovação de Lula subiu entre eleitores da direita e até entre bolsonaristas. Presidente também tirou grande diferencial em um nicho essencial na disputa à reeleição em 2026.

Escrito en Opinião el
Plínio Teodoro é jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FESPSP e em Psicologia Transpessoal pelo Ipec-Campinas. Com mais de 30 anos de experiência, já atuou em redações de veículos como Folha de S.Paulo, O Estado de Minas, O Globo, G1, iG, Terra, CBN e Jornal da Tarde, tendo se dedicado principalmente ao jornalismo político, cobertura de eleições e pautas de governo, tanto como repórter quanto como editor.
Pesquisa Quaest traz dados positivos para o governo Lula e um alerta
Donald Trump durante encontro com Lula na Malásia. Andrew Caballero-Reynolds / AFP

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (12) traz boas notícias para o governo e para o presidente Lula, que teve a curva ascendente de popularidade interrompida após a matança promovida por Cláudio Castro (PL-RJ) nas comunidades do Alemão e da Penha no Rio de Janeiro.

Embora a aprovação do governo Lula tenha oscilado um ponto para baixo - de 48% para 47% - entre outubro e novembro, o detalhamento traz uma ótima notícia no nicho eleitoral mais delicado para o presidente.

Segundo a Quaest, em um mês, a aprovação de Lula subiu 4 pontos entre eleitores evangélicos, saindo de 34% para 38%. Em declínio, a desaprovação caiu 5 pontos, de 63% para 58% - o menor índice desde julho. No total, Lula tirou uma diferença de 9 pontos entre os evangélicos, considerados um dos principais alvos do bolsonarismo.

O detalhamento também surpreende por mostrar que a aprovação de Lula cresceu na direita, especialmente entre apoiadores de Jair Bolsonaro (PL). No período, a aprovação de Lula entre bolsonaristas subiu de 9% para 14% - rompendo a barreira dos dois dígitos - e a desaprovação caiu de 89% para 83%.

Na direita que se diz "não bolsonarista", a aprovação do presidente pulou de 10% para 125 e a desaprovação caiu de 89% para 86%.

A disputa maior segue entre aqueles que se classificam como "independentes", nicho onde a aprovação de Lula registrou queda de 3 pontos percentuais - de 46% para 43%.

Encontro com Trump

Outra boa notícia para Lula é a repercussão do encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, de conhecimento de 65% dos entrevistados.

Para 45% dos entrevistados, após o encontro com Trump, Lula saiu mais forte. Outros 10% dizem ter saído igual e 30% mais fraco - 15% não responderam. O sucesso do encontro foi expressado por 30% da direita não bolsonarista e 19% dos bolsonaristas.

Além disso, a maioria - 51% - acredita que os presidentes vão chegar a um acordo para reduzir as tarifas entre os dois países.

Segurança Pública

Considerada o calcanhar de Aquiles para o campo progressista, a pauta da segurança pública traz um dado que abre um avenida para o governo Lula desfilar: 60% apoiam a PEC sobre o tema, proposto pelo governo.

O índice só é superado por dois temas fisiológicos da ultradireita: aumento de penas a homicídios a mando de organizações criminosas (88%), que também está na pauta governista; e retirada do direito à visita íntima para faccionados na prisão (65%).

O tema, no entanto, acende um alerta no Planalto: a preocupação com a violência saltou de 30% para 38% no último mês, vindo em uma crescente desde julho, quando era citada por 25% dos entrevistados.

O dado mostra que a oposição colocou a segurança pública no centro do debate político - e fará de tudo para manter até a disputa presidencial, no próximo ano.

A boa notícia é que o mesmo gráfico mostra que o governo conseguiu reverter, no último ano, a preocupação dos brasileiros com a economia. Em outubro de 2024, o tema foi citado por 24% dos entrevistados como "maior preocupação em relação ao Brasil". Atualmente, apenas 13% fazem referência à economia, mesmo índice de "problemas sociais" e "corrupção".

E se conseguiu reverter os dados em um assunto delicado como a economia, refletido principalmente nos preços dos alimentos nos supermercados, pode dar uma reviravolta no tema da Segurança Pública até outubro de 2025.

 

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