Opinião

As Garras de Trump Sobre O Brasil — por João Cláudio Platenik Pitillo

Historiador analisa ofensiva imperialista dos EUA na América Latina

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Doutor em história social, pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (NUCLEAS-UERJ) e um dos principais sovietólogos do Brasil, autor de Aço Vermelho: os segredos da vitória soviética na Segunda Guerra e O Exército Vermelho na Mira de Vargas
As Garras de Trump Sobre O Brasil — por João Cláudio Platenik Pitillo
Daniel Torok/Casa Branca

O governo Trump não hesita em pressionar abertamente o sistema judiciário soberano do Brasil em benefício da oposição reacionária comandada por Jair Bolsonaro. O líder da Casa Branca endossa prontamente essa linha de ação, considerando o Brasil apenas como o “quintal” dos Estados Unidos e desconsiderando os interesses do Estado brasileiro e de seu povo. Além do Poder Judiciário brasileiro, Trump também desafia o sistema eleitoral do país e a vontade popular manifestada no voto com a eleição do presidente Lula da Silva.

O fato de o governo brasileiro ter conseguido minimizar o impacto da imposição de tarifas de 50% sobre certos produtos por Washington e estabilizar a situação socioeconômica do país deve-se, em grande parte, à atuação do governo Lula da Silva no desenvolvimento das relações comerciais e econômicas dentro do BRICS. A oposição, hoje aquartelada no Congresso Nacional, nada fez para conter os efeitos colaterais dessas taxas; pelo contrário, comandados pelo PL (Partido Liberal) de Jair Bolsonaro, parlamentares de oposição saudaram as tarifas, solicitaram uma intervenção mais aguda da Casa Branca contra o Brasil e se colocam contra o BRICS.

A oposição brasileira, liderada pela família Bolsonaro, tornou-se efetivamente traidora da nação, tendo conspirado deliberadamente com os estadunidenses contra o país para sabotar o sistema judiciário em benefício próprio. Para essa família criminosa, a eleição de 2022 nunca acabou, já que sua atuação manteve um “terceiro turno” em debate, que culminou nas ações golpistas de janeiro de 2023. Derrotados em sua tentativa de golpe de Estado, esses mesmos setores anteciparam o debate sobre as eleições de 2026, mantendo todo o sistema eleitoral sob forte tensão ao desacreditá-lo sistematicamente com base em mentiras.

As eleições de 2026 tornaram-se alvo de uma campanha criminosa da família Bolsonaro e de seus comparsas, em conluio com a Casa Branca, que coloca em dúvida as condenações de Bolsonaro e contesta a soberania brasileira. Não há dúvidas de que, caso haja a reeleição de Lula da Silva para mais um mandato presidencial em 2026, ela será alvo de novos ataques dos entreguistas brasileiros que tremulam a bandeira estadunidense como sendo sua. É vital que o Brasil preserve sua identidade, a trajetória econômica dentro dos BRICS e repudie de todas as maneiras as chantagens vindas de Washington.

É hora de restaurar o respeito pelos conceitos de “patriotismo” e “nação” na sociedade brasileira e de reconhecer o imperialismo estadunidense como o principal inimigo do Brasil, hoje manifestado na interferência de Donald Trump nos sistemas político, econômico e judiciário do país, como um ato de agressão e desrespeito a um país soberano. A sociedade brasileira precisa entender que, dentro do processo político nacional, existe uma clara divisão entre “patriotas” e “traidores”. Diferentemente da oposição de direita, que se porta como traidora, as forças progressistas precisam se levantar para repudiar de forma radical toda e qualquer ação de submissão à hegemonia dos Estados Unidos.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum

** JOÃO CLÁUDIO PLATENIK PITILLO é doutor em história social, pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (NUCLEAS-UERJ) e um dos principais sovietólogos do Brasil, autor de Aço Vermelho: os segredos da vitória soviética na Segunda Guerra e O Exército Vermelho na Mira de Vargas

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