OPINIÃO

A nova democratização do Brasil - Por Emir Sader

A luta por um Congresso mais representativo é a luta politica maior, para conseguir construir, finalmente, uma democracia no Brasil.

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Emir Sader é sociólogo, cientista político e atuou como professor da USP, Unicamp, Uerj e como pesquisador do Centro de Estudos Socioeconômicos da Universidad de Chile, além de autor de várias obras sobre o tema.
A nova democratização do Brasil - Por Emir Sader
Lula durante cerimônia de sanção do projeto que amplia a faixa de isenção do IR. Ricardo Stuckert / PR

O Brasil volta à democracia, depois e tantas idas e vindas. Saimos da ditadura sem eleições diretas para presidente, com o que havia sido presidente do partido da ditadura, José Sarney, como o primeiro presidente civil depois da ditadura.

A oposição mais radical à ditadura veio das tentativas de luta armada. Derrotadas essas tentativas, forcas liberais, no MDB assumiram a direção do processo de transição, mas a derrota das diretas deu um caráter conservador à transição à democracia.

Uma transição da ditadura à democracia hibrida, entre o velho e o novo. Não estávamos mais na ditadura, mas ainda não chegávamos à democracia, não havia eleições diretas para presidente.

A nova democratização veio depois do impeachment da Dilma e da prisão do Lula. Seis anos depois de sair da prisão, inocentado pelo Judiciário, Lula voltou a ser presidente do Brasil. Esta vez sem maioria no Congresso. Faz um bom governo, apesar disso e das alianças que teve que fazer para conviver com esse Congresso.

Agora Lula se prepara para um quarto mandato. É mais fácil a reeleição do que ter um Congresso muito diferente desse, o pior da nossa história. 

É de novo uma democracia a meias. Um sistema democrático, mas numa sociedade ainda a mais desigual do continente mais desigual. 

A luta por um Congresso mais representativo é a luta politica maior, para conseguir construir, finalmente, uma democracia no Brasil. Estão em condições os partidos de esquerda, especialmente o PT, de construir esse Congresso?

Os mecanismos de eleição parlamentar estão muito marcados pelos favores locais dos candidatos e dos parlamentares. Terá força o movimento social e os partidos de esquerda para eleger uma representação democracia majoritária no Congresso?

Isso tem que ser resultado de um amplo trabalho de base, especialmente com novas gerações, renovação os candidatos da esquerda, que não parece existir atualmente. Se conta com o prestígio do Lula, de forma que todos querem seu apoio para se eleger ou se reeleger ao Congresso. Como transformar essa força e diálogo com novas gerações?

Perdemos o contato com essas novas gerações, muito menos politizada e mais voltada, com razão, para suas liberdades e escolhas individuais, mescladas com o consumo. Mas se retomar esse contato, a esquerda não se renovará e não terá futuro.

Podemos contar com um novo governo do Lula. Mas o que faremos nesse novo governo? 

É a nova chance de reconstruir uma democracia no Brasil. Em primeiro lugar, quebrar o peso do capital financeiro, de caráter especulativo na economia. Tratar de baixar a taxa de juros, que o próprio presidente do BC mantem muito alto, contra a opinião do próprio Lula e do Fernando Haddad. Sem isso, a economia não voltará a um ciclo longo de caráter expansivo e não teremos conseguir derrotar o neoliberalisjmo e seu capital financeiro. 

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.

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