Há 20 anos explodia o Mensalão
Renata Lo Prete e Roberto Jefferson, dois personagens centrais do Mensalão, vivem realidades distintas duas décadas após a criação do jargão pela mídia liberal.
Em um hiato de 20 anos, os dois personagens do Mensalão, jargão que marcou oficialmente o início da guerra da mídia liberal para tentar impedir que Lula tivesse um novo mandato na Presidência da República, vivem realidades distintas.
Então titular da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Renata Lo Prete ganhou prestígio, subiu na carreira e hoje é apresentadora do Jornal da Globo, um dos principais da família Marinho.
Roberto Jefferson, que revelou a "mesada de R$ 30 mil" que seria paga pelo governo Lula aos parlamentares, amarga sua terceira prisão, aos 71 anos, transformada em "domiciliar humanitária" por Alexandre de Moraes no mês passado, após participar ativamente do governo Jair Bolsonaro (PL), que institui o orçamento secreto, que distribuiu mais de R$ 28 bilhões aos congressistas.
O encontro entre a jornalista e o ex-deputado, que já era fonte desde os tempos do Collor, explodiu no que a mídia liberal escancarou como "escândalo do mensalão", dando álibi para o levante que tentou, de forma frustrada, impedir Lula de conseguir a reeleição no ano seguinte - de forma semelhante com o que faz atualmente com a "fraude no INSS".
Assim como o esquema de desvio nos empréstimos consignados dos aposentados, que teve início no governo Michel Temer (MDB) e foi turbinado com Jair Bolsonaro (PL), o chamado "mensalão" era pratica recorrente no Congresso Nacional, que remetia inclusive ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas que nunca havia sido divulgado pela mídia liberal.
Jornalistas que atuavam em Brasília, como Renata Lo Prete, tinha conhecido da prática, mas não havia interesse dos patrões - até Lula chegar à Presidência - em mexer na relação fisiológica, que ganhou nova forma com Bolsonaro.
À época, a mídia liberal conseguiu o que queria, afastando Zé Dirceu da Casa Civil. O ministro era considerado como potencial sucessor de Lula após a reeleição em 2006.
No entanto, Lula colocou no lugar Dilma Rousseff, que viria a se tornar a primeira presidenta do país em 2010. O golpe só foi consolidado em 2016, na articulação espúria com o Congresso Nacional - então comandado por Eduardo Cunha (Republicanos) - que articulou a derrubada de Dilma com base nas "pedaladas fiscais", outro termo criado e levado à exaustão para as manchetes da mídia liberal.
Artífice do golpe, Temer assumiria. Lula só foi impedido de voltar à Presidência em 2018 após ser preso no processo de lawfare da Lava Jato - retratado em dutos de esgoto pela Globo - conduzido por Sergio Moro, que ajudou a eleger Jair Bolsonaro (PL) e de quem se tornou "super" ministro.
Vinte anos depois, Lula está de volta ao vencer uma outra tentativa de golpe, desencadeado pelo neofascismo de Bolsonaro, mais uma aventura da mídia liberal, que tentou colocar amarras no projeto de ditador com Paulo Guedes no comando das políticas neoliberais.
Nesse hiato de tempo, o rança das famílias midiáticas contra o presidente só aumentou. Mas, tiveram que engolir todo seu ódio ao ver Lula subir pela terceira vez a rampa do Palácio do Planalto, saindo mais uma vez vencedor das tentativas reiteradas de acabar com sua imagem junto ao povo brasileiro.