Análise

Ladrões e Barões – Por Normando Rodrigues

Fascistas e magnatas têm em comum a naturalização da hierarquia social e da dominação de poucos sobre muitos

Escrito en Opinião el
Bacharel (UFRJ) e Mestre (UFF) em Ciências Jurídicas e Sociais e assessor da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Ladrões e Barões – Por Normando Rodrigues
Congresso Nacional. Agência Brasil/Arquivo

A maioria de nossos congressistas é de lacaios dos “barões ladrões”. Voltemos no tempo.

As instituições políticas que conhecemos surgiram como reação à concentração de poder nas mãos de uma única pessoa, ou de um pequeno grupo.

Uma das primeiras destas respostas foi o acordo do século XIII entre rei e nobreza, chamado Carta Magna. Curiosamente, os nobres que exigiram a limitação dos poderes da Coroa eram “Barões Ladrões”, assim chamados os cavaleiros medievais que extorquiam bens e produção rural de quem passasse ou plantasse em suas terras. E o faziam pelo uso da força, naturalizado com o argumento do “poder divino”.

Em 1870, a imprensa norte-americana batizou de Robber Barons os donos dos oligopólios da 2ª Revolução Industrial: Carnegie, Vanderbilt, Morgan, Rockfeller etc. Na aurora do fascismo, os últimos destes Barões Ladrões, Willian Randolph Hearst (o verdadeiro “Cidadão Kane”), Henry Ford e Frederick Trump (pai de...) eram fãs e promotores de Mussolini e Hitler.

Fascistas e magnatas têm em comum a naturalização da hierarquia social e da dominação de poucos sobre muitos, empregando o discurso que é sucessor histórico do antigo “poder divino”, a “meritocracia”.

Mas fantasias, divinas ou meritocráticas, não ocultam os efeitos das crises do capitalismo (1873; 1929; 1973; 2008...). Logo, para manterem seus feudos (nos quais determinam a vida e a morte), em 1887 os Barões Ladrões inventaram as “agências reguladoras”, destinadas a uma aparência de controle público sobre suas atividades.

Da incapacidade das agências (o brasileiro bem sabe) surgiram as leis antitrustes dos EUA, entre 1890 e 1914.

O perfil da violência feudal mudou, porém, a tensão é a mesma. Hoje. os quatro seres humanos mais ricos do planeta são donos de Big Techs e a pretensão de controlar a vida e a morte em seus tecnofeudos (como classifica Yani Varoufakis) corresponde à dos cavaleiros medievais e dos Robber Barons.

Foi necessário regular as siderúrgicas dos Carnegie, os navios e trens dos Vanderbilt, os bancos dos Morgans e o petróleo dos Rockfeller. E é indispensável regular o poder político de Musk, Zuckerberg, Bezos e Ellison. Não haverá democracia enquanto estes, ou quaisquer outros ricaços, tiverem poder de vida e morte sobre bilhões de seres humanos.

Exemplo disso é o Congresso Nacional, majoritariamente eleito por ridículos bonequinhos de ventríloquo das falas fascistas, ultraliberais, misóginas, racistas e homofóbicas dos tecnofeudalistas.

O preço de não combater a atuação do Barões Ladrões é ter na atual legislatura o título de “a pior da República”... até a de 2026-2030.

*Esse artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.

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