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22 de julho de 2017, 17h56

Ortodoxia liberal-conservadora toma Mercosul

O “novo” Mercosul reedita o perfil liberal-conservador de quando o bloco foi criado, nos anos 90. Não se preocupa com a participação popular e a integração social e deve priorizar os acordos de livre comércio, mesmo que isso seja feito com a precarização dos direitos da classe trabalhadora   Por Vinicius Sartorato*     Foto: Alan Santos/PR   Sem uma cúpula com os principais mandatários de seus países desde dezembro de 2015, a 50ª Cúpula dos Presidentes do Mercosul, realizada na região metropolitana de Mendoza, na Argentina, marca uma inflexão política no bloco. Participaram os presidentes dos países-membros: Macri (Argentina), Temer (Brasil), Cartes...

O “novo” Mercosul reedita o perfil liberal-conservador de quando o bloco foi criado, nos anos 90. Não se preocupa com a participação popular e a integração social e deve priorizar os acordos de livre comércio, mesmo que isso seja feito com a precarização dos direitos da classe trabalhadora

 

Por Vinicius Sartorato*     Foto: Alan Santos/PR

 

Sem uma cúpula com os principais mandatários de seus países desde dezembro de 2015, a 50ª Cúpula dos Presidentes do Mercosul, realizada na região metropolitana de Mendoza, na Argentina, marca uma inflexão política no bloco. Participaram os presidentes dos países-membros: Macri (Argentina), Temer (Brasil), Cartes (Paraguai), Vasquéz (Uruguai); dos países-associados: Bachelet (Chile), Morales (Bolívia), além de representantes dos governos da Colômbia, Peru, Equador, Suriname, Guiana e do México (como observador).

Entre os temas que ganharam maior destaque: 1) Venezuela; 2) União Europeia; 3) Cúpula Social. Neste sentido, vale dizer que a reunião não trouxe quase nada de concreto – mas sim algumas sinalizações importantes.

Sobre a Venezuela, o intento argentino-brasileiro de penalizar o país acabou por não acontecer. Os discursos foram duros, entretanto a declaração da cúpula sobre o tema, diante de uma posição mais conciliadora de Bolívia, Chile e Uruguai, acabou tendo perfil mais diplomático, sem ameaças ou ultimatos, tampouco a “tão desejada condenação” à Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro.

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Outro tema importante foi o tão prometido Acordo de Livre-Comércio com a União Europeia. Segundo ministros, o acordo pode sair até o fim de 2017 – dependendo da vontade dos europeus. Setores do agronegócio e industriais ainda são obstáculos, com confusões relacionadas ao acesso aos respectivos mercados. Por outro lado, os governantes não aparentam estar preocupados com os temas trabalhistas, tão discutidos no passado.

De concreto, mesmo, somente a “não-realização” da Cúpula Social do Mercosul, que foi importante canal de comunicação entre os governantes do bloco e a sociedade civil organizada da região na última década. Em resumo, o “novo” Mercosul reedita o perfil liberal-conservador de quando o bloco foi criado, nos anos 90. Não se preocupa com a participação popular e a integração social e deve priorizar os acordos de livre comércio, mesmo que isso seja feito com a precarização dos direitos da classe trabalhadora.

Por fim, Michel Temer assume a presidência semestral do grupo, com uma armadilha preparada para Venezuela – a sua expulsão, de acordo com o Protocolo de Ushuaia, voltado para o tema da ordem democrática, com possibilidades concretas de maior recrudescimento em termos de fronteiras, comércio, energia, tráfego aéreo, marítimo, bem como sanções financeiras.

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*Vinicius Sartorato é sociólogo. Mestre em Políticas de Trabalho e Globalização (Universidade de Kassel – Alemanha).

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