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25 de outubro de 2018, 19h55

Pacotes suspeitos de bomba dominam as manchetes nos EUA

Em sua nova coluna, Ana Prestes revela que a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, condenou as tentativas de ataque, pouco após estes terem sido anunciados, e declarou que os responsáveis responderiam perante a lei por “esses ataques terroristas que são depreciáveis”

– As manchetes internacionais durante todo o dia de ontem (24) ficaram por conta dos pacotes suspeitos encontrados em correspondências enviadas ao ex-presidente Barack Obama, à ex-secretária de Estado Hillary Clinton, ao ex-vice-presidente Joe Biden, aos escritórios da emissora americana CNN, ao conglomerado Time Warner, ao escritório da deputada democrata Debbie Wasserman Schultz, ao governador de Nova York e ao de uma senadora em San Diego. Todos os políticos são democratas. Na segunda-feira (22), um pacote semelhante havia sido encontrado na residência do bilionário George Soros. Alguns pacotes continham bombas de fabricação caseira. Nem todos chegaram ao seu destino, tendo sido interceptados pelo Serviço Secreto.

– A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, condenou as tentativas de ataque, pouco após estes terem sido anunciados, e declarou que os responsáveis responderiam perante a lei por “esses ataques terroristas que são depreciáveis”. Trump também se pronunciou na Casa Branca, durante evento antidrogas, coordenado pela primeira dama, sem dizer os nomes dos atingidos pelas ameaças. Disse estar “enfadado, chateado e triste” com o sucedido. Em atividades de campanha ao longo do dia, no entanto, o presidente voltou a atacar a imprensa por criar notícias falsas e disse que os democratas destruirão o país se passarem a ter o controle do Congresso nas eleições do próximo dia 6 de novembro.

– O envio de bombas caseiras a políticos e meios de comunicação nos EUA, criando uma onda terrorista, se dá no contexto das eleições legislativas de “midterm”, como eles chamam as eleições que ocorrem no meio de um mandato presidencial. As eleições têm sido tratadas como um referendo pró ou contra Trump, pois pode definir o ambiente político em que ele governará na segunda metade de seu mandato. O avanço da caravana de migrantes da América Central tem potencializado também a tensão no país, sendo que tanto os democratas, como George Soros, que receberam ou quase receberam (interceptados) os pacotes-bomba são acusados de patrocinar a caravana.

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– O presidente russo, Vladimir Putin, se pronunciou nesta quarta (24) sobre a saída dos EUA do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), firmado entre os dois países em 1987. Putin disse que o rompimento do acordo vai gerar uma nova corrida armamentista e que se novos mísseis americanos forem instalados na Europa, o governo russo responderá de forma simétrica. O presidente russo disse ainda que tratará do tema com seu homólogo, Donald Trump, na reunião entre os dois prevista para o dia 11 de novembro em Paris. Rússia e EUA têm pontos de tensão atualmente com relação ao desfecho da guerra da Síria, ao papel da Rússia no conflito na Ucrânia e o polêmico caso das supostas intervenções russas nas eleições presidenciais americanas de 2016. Analistas veem a saída dos EUA do INF como um sinal para a China.

– No Chile, o senador Alejandro Navarro propôs ontem (24) a implementação de uma “Lei Bolsonaro” para combater as fake news no país. Segundo o parlamentar, a “reforma é necessária para proteger a democracia”, com a previsão de punições duras, tais como a “cassação do cargo ou da candidatura política quando for responsável pela difusão de notícias falsas contendo algum adversário político durante a campanha”.

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– O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, anunciou nesta quarta (24) que o presidente Miguel Díaz-Canel fará uma viagem internacional percorrendo países como a China, Rússia, Coreia do Norte, Vietnã, Laos, além de países da Europa Ocidental.

– A Comissão Europeia rejeitou nesta terça-feira (23) o projeto do orçamento da Itália para 2019. Segundo a CE, o plano viola as regras da União Europeia sobre gastos públicos. A Itália tem a segunda dívida pública mais elevada da UE, atrás apenas da Grécia. Sobre a rejeição, o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini disse que Roma não voltará atrás na proposta.

– Sob fortes protestos, inclusive com confronto entre manifestantes e policiais, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou (ainda falta o Senado) a proposta de Orçamento para 2019 por 138 votos a favor e 103 contrários, com 8 abstenções e 7 ausências.

– A caravana de migrantes que saiu da América Central com destino aos EUA segue sua caminhada. Restam ainda 1.700 km para serem percorridos, desde Chiapas, no México, onde se encontram, até a fronteira com os EUA.

– Em El Salvador, um juiz pediu a prisão de um ex-militar suspeito de ter ordenado em 1980 o assassinato do arcebispo Oscar Romero, conhecido no país e em toda América Latina como Monsenhor Romero e que é um ícone da luta por direitos humanos no continente. Monsenhor Romero foi canonizado recentemente pelo Papa Francisco. O caso do assassinato foi reaberto em 2017, após a lei de anistia que proibia julgamentos criminais de casos ocorridos durante a guerra civil salvadorenha ter sido revertida. Em seus sermões, Romero criticava a ditadura militar salvadorenha (1980 – 1992) e era solidário com a população mais pobre.

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– O chanceler equatoriano José Valencia anunciou que o Equador não mais intermediará conversações de Julian Assange e o governo britânico. Assange, que se encontra abrigado pela embaixada do Equador em Londres, corre o risco de ser preso e extraditado para os EUA, caso deixe a Embaixada. Ele foi o responsável pela descoberta de segredos diplomáticos e militares dos EUA como administrador do WikiLeaks.

– Investigadores turcos podem ter áudios e vídeos que revelam detalhes da morte do jornalista saudita Kashoggi e os mesmos teriam sido disponibilizados para a norte-americana CIA, segundo dados da imprensa turca.

– A diplomata de carreira, Sahle-Work Zewde, 68 anos, será a primeira mulher presidente na história da Etiópia. Ela acaba de ser eleita em sessão conjunta das duas câmaras do Parlamento, após a renúncia do presidente Mulatu Teshome, que estava no poder desde 2013.

– O parlamento europeu aprovou nesta quarta (24) uma proposta que proíbe os produtos de plástico descartável, como pratos, canudos, talheres, cotonetes etc., em todos os países da União Europeia. Se todos os estados membros concordarem, a legislação passa a valer a partir de 2021.