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18 de julho de 2018, 14h24

Para guru do DEM, candidatura de Jair Bolsonaro já está em queda

Em entrevista ao Valor, estatístico Paulo Guimarães destaca ainda que Lula tem potencial para elevar para 20% a 22% as intenções de voto do candidato do PT, seja Haddad ou Wagner, em caso de impossibilidade do ex-presidente

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil O estatístico Paulo Guimarães afirmou que Lula tem potencial para elevar para 20% a 22% as intenções de voto do candidato do PT, seja Fernando Haddad ou Jaques Wagner, no caso da não participação do ex-presidente. Em entrevista a Raphael Di Cunto, do Valor, Guimarães revelou que esses números significam que há uma boa possibilidade de o PT chegar ao segundo turno. No entanto, ela alerta que a transferência de votos não deverá superar esse percentual e que isso só acontecerá dependendo das condições de Lula fazer campanha, mesmo preso, segundo o estatístico, que tem...

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O estatístico Paulo Guimarães afirmou que Lula tem potencial para elevar para 20% a 22% as intenções de voto do candidato do PT, seja Fernando Haddad ou Jaques Wagner, no caso da não participação do ex-presidente. Em entrevista a Raphael Di Cunto, do Valor, Guimarães revelou que esses números significam que há uma boa possibilidade de o PT chegar ao segundo turno. No entanto, ela alerta que a transferência de votos não deverá superar esse percentual e que isso só acontecerá dependendo das condições de Lula fazer campanha, mesmo preso, segundo o estatístico, que tem 29 anos de atuação em campanhas de vários partidos.

Considerado o guru do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), que ele ajudou a eleger em 1992, quando a maioria dava a eleição como perdida, Guimarães afirma que Jair Bolsonaro é vítima do mesmo movimento que tirou Marina Silva (Rede) do páreo em 2014: a suposta estabilidade ou crescimento nas pesquisas esconde um percentual elevado de eleitores que pensaram em votar nele e desistiram. O brasileiro primeiro diz que vai votar em alguém para depois prestar atenção nas ideias. “Ele vê uma mulher bonita e diz: é essa. Mas depois percebe que tem mau hálito e vai atrás de outra. Esse movimento é constante na eleição”, diz.

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Confira algumas opiniões do estatístico:

Posso garantir que nem o Lula, nem Bolsonaro, nem os outros 15 ou 16 pré-candidatos, são opositores ao Temer. Para ser opositor a sua intenção de voto, dentro dos que têm avaliação ruim ou péssima do governo, tem que ser maior que a sua média. E ninguém se posiciona aí. Hoje é espaço desocupado e é onde tem 42% do eleitorado sem candidato, voando. E isso coloca qualquer um no segundo turno.

O que tem força é o Lula falar “o ‘Paulinho’ é meu candidato”. Com o [José] Serra para prefeito de São Paulo em 2004 já passamos por isso. Dentro da imagem positiva do Alckmin, que era governador, quem ganhava era a (então prefeita) Marta Suplicy. Quando o Alckmin falou “peraí, meu candidato é o Serra”, acabou com a Marta, destruiu a Marta. É assim que funciona. Não adianta eu falar “sou amigo do Lula também” porque na hora que o Lula disser “é mentira, ele não é meu amigo”, desmorona.

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Se os 17%, 20%, que o Bolsonaro tem hoje serão suficientes para o segundo turno só o tempo vai dizer porque está muito fragmentado. Em 2002 o Serra passou para o segundo turno com 18% (dos votos totais, 24% dos válidos). Já na última eleição, a Marina, com 21% (dos votos válidos), não foi. Mas as pesquisas mostram que o Bolsonaro já perdeu muitas pessoas que pensaram em votar nele e já não pensam mais.

É o que se identifica com o grupo controle. Você pega três mil eleitores de um candidato e acompanha como se comportam durante a campanha. O Bolsonaro vem perdendo 20% dos eleitores a cada mês. Se tem 100 eleitores, perde 20 a cada mês. Mas não tem aparecido nas pesquisas quantitativas porque ele ganha outros 20%. É um movimento que ocorre com todos os candidatos, mas com mais intensidade com quem está na frente. Primeiro vem a onda de votar em alguém, vou votar no Bolsonaro, depois começo a prestar atenção no que ele fala. E aquilo pode não me atrair, desisto e não volto mais a pensar em votar naquele candidato.

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Leia a entrevista na íntegra no Valor

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