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22 de outubro de 2018, 10h55

Paris mobiliza-se contra o fascismo no Brasil

Ato contra o fascismo no Brasil e no mundo reuniu mais de 3.000 pessoas na capital francesa no dia 20 de outubro.

Foto: Autres Brésils
Por Erika CAMPELO no Autres Brésils Um grande ato contra a emergência do fascismo no Brasil e no mundo reuniu mais 3.000 pessoas em Paris no último sábado, 20 de outubro. Organizado pelas associações e coletivos Autres Brésils, France Amérique Latine, Amigos do Movimento Sem Terra, Mulheres Unidas contra Bolsonaro e Liga dos Direitos Humanos, o ato foi apoiado por mais de 35 associações ou instituições francesas e latino-americanas na França, contando com pesquisadores e representantes de sindicatos, movimentos sociais e de partidos políticos franceses. Tomaram a palavra representantes brasileira/os do movimento LGBT, do movimento negro, do movimento feminista, do...

Por Erika CAMPELO no Autres Brésils

Um grande ato contra a emergência do fascismo no Brasil e no mundo reuniu mais 3.000 pessoas em Paris no último sábado, 20 de outubro. Organizado pelas associações e coletivos Autres Brésils, France Amérique Latine, Amigos do Movimento Sem Terra, Mulheres Unidas contra Bolsonaro e Liga dos Direitos Humanos, o ato foi apoiado por mais de 35 associações ou instituições francesas e latino-americanas na França, contando com pesquisadores e representantes de sindicatos, movimentos sociais e de partidos políticos franceses.

Tomaram a palavra representantes brasileira/os do movimento LGBT, do movimento negro, do movimento feminista, do MST e aliados dos povos indígenas. A associação Acceptess-T lembrou que o Brasil já é o país que mais mata pessoas transgêneras no mundo e denunciou o racismo, a homofobia, a transfobia e a sorofobia do candidato de extrema direita. Defendeu a mobilização contra a banalização e a legitimação do ódio: “recusamos essa ignóbil regressão”. O coletivo de Mulheres Unidas na França contra Bolsonaro, por sua vez, falou pelas mulheres que lutam diariamente por seus direitos, a igualdade e a liberdade. O grupo denunciou as propostas reacionárias e violentas contra as mulheres num país de feminicídios e de agressões sexistas. Lembrou também que o fascismo já se instalou no Brasil, denunciando o assassinato de Mestre Môa do Katendê e de uma travesti no centro de São Paulo como dois exemplos da onda de violência contra minorias e contra opositores do candidato neo-fascista desde o primeiro turno das eleições. Mestre Moa, aliás, foi evocado junto de Marielle Franco pelo coletivo feminista parisiense Marielles. “Quantas vezes podemos matar alguém?”, perguntaram elas sobre o palanque, referindo-se aos atos violentos contra a memória de Marielle. Elas defenderam também a escolha da alegria, do acolhimento e da união na luta política,  contra a máquina de tristeza e melancolia promovida pela estratégia violenta da extrema direita. Uma representante do MST, depois de evocar a dupla opressão que sofrem as mulheres negras, afirmou a luta do movimento por um mundo mais humano e mais justo, no qual “todas as formas de amor e de amar valham a pena”. No mesmo sentido, um grito pela população negra fechou a manifestação. “A palavra tem força, tem poder”.

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Diante desse contexto em que discursos e gestos violentos passam a ser normalizados, diante da ameaça neo-fascista que ganha as ruas e as urnas do país, as pesquisadoras Maud Chirio e Juliette Dumont, do grupo de estudos ARBRE (Associação pela Pesquisa sobre o Brasil na Europa), sublinharam a importância da solidariedade internacional. Esse foi também o tema da fala de Gus Massiah, membro do conselho do Fórum Social Mundial e da associação ATTAC, do CEDETIM e da Intercoll. Ele afirmou que o Brasil é a mais nova etapa de uma “contra-revolução mundial”, junto de países como os Estados Unidos, a Hungria, a Itália, a Índia e as Filipinas. Ele afirmou que tal contra-revolução é uma reação ao novo mundo carregado pelos movimentos altermundialistas. “Não é por acaso que a questão das mulheres esteja no centro do que ocorre no Brasil”, disse. “Os fascistas temem a revolução das mulheres, que coloca em questão relações milenares, eles temem o novo mundo”.

Entre os representantes do Estado, estiveram presentes a senadora Laurence Cohen (Partido Comunista) e Emmanuel Grégoire, o primeiro adjunto da prefeita de Paris Anne Hidalgo. Cohen lembrou que ascenção de Jair Bolsonaro passa pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff e pela prisão de Lula – dois momentos de um golpe sobre o qual o governo francês se manteve silencioso. Grégoire, por sua vez, declarou que os parisienses permanecerão vigilantes e ao lado dos brasileiros que lutam pela democracia. “Não aceitaremos que [Jair Bolsonaro] execute suas ameaças contra os mais frágeis e todos aqueles que são vítimas de discriminações”, completou. Também discursaram membros dos Partido Socialista e da France Insoumise.

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O maior objetivo do ato era a convocação para “o necessário levante internacional para além das eleições e pelo apoio à construção de uma frente pela democracia”. Em efeito, reunindo expressões diversas da esquerda, o evento mostrou que é preciso tomar posição e criar redes nacionais e internacionais, oficiais e populares, em torno de um desejo comum: ele não – eles não.

 

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