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17 de junho de 2019, 15h44

Paulo César Feital e Lucas Bueno: pisam no chão Brasil de pés descalços, por Luiz Carlos Prestes Filho

Luiz Carlos Prestes Filho escreve sobre o álbum “Lágrimas”, da dupla Paulo César Feital e Lucas Bueno

Lucas Bueno e Paulo César Feital. Foto: Divulgação
Por Luiz Carlos Prestes Filho* Existe uma sensação criança nas obras realizadas pela dupla Paulo César Feital e Lucas Bueno. Para o primeiro as referências são as crianças de 100 anos atrás, para o segundo são as crianças de 30 anos. Para o primeiro é a memória da escravidão; da Tia Ciata; da Semana de Arte Moderna; da fundação do primeiro partido de esquerda no pais – o Partido Comunista Brasileiro (PCB); do levante dos 18 do Forte de Copacabana; da Coluna Prestes; da Revolta Armada Comunista de 1935; e da resistência aos golpistas de 1964. Para o segundo é...

Por Luiz Carlos Prestes Filho*

Existe uma sensação criança nas obras realizadas pela dupla Paulo César Feital e Lucas Bueno. Para o primeiro as referências são as crianças de 100 anos atrás, para o segundo são as crianças de 30 anos.

Para o primeiro é a memória da escravidão; da Tia Ciata; da Semana de Arte Moderna; da fundação do primeiro partido de esquerda no pais – o Partido Comunista Brasileiro (PCB); do levante dos 18 do Forte de Copacabana; da Coluna Prestes; da Revolta Armada Comunista de 1935; e da resistência aos golpistas de 1964. Para o segundo é a memória das lutas pela Anistia Política de 1979; da campanha das “Diretas Já”; e das eleições democráticas dos últimos 30 anos.

Foto: Divulgação

Todos esses fatos elencados vêm à cabeça quando ouvimos o conjunto de obras gravadas.

O Feital e o Lucas dialogam sobre as inquietações das gerações que construíram o que vivenciamos hoje no país. Eles não têm qualquer receio de expor a contradição da contradição do momento que vivemos.

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Na minha opinião eles apresentam recortes exatos da realidade, fotografam temas e as personagens fundamentais das lutas que travamos para chegar até este ano de 2019.

Claro, vão além. Ao nominalmente evocar os nomes de mulheres e homens que deram corpo a alma brasileira eles fundem suas gerações. Em determinado momento o Feital passa a ser um jovem inexperiente e ingênuo. O Lucas um homem vivido/cansado de apanhar.

Quem é o corpo e quem é a sombra? Quem mais viveu e quem mais estudou? Quem mais amou e quem mais sonhou? Fica a dúvida quando terminamos a audição.

Fica – também – a certeza de que as crianças de 100 anos atrás e as crianças de 30 anos atrás eram diferentes. Mas todas elas andavam de pés descalços pelos chãos de terra batida do Brasil.

Tirem os sapatos para ouvir esse conjunto de fé e de convicção. O Brasil já deu certo!

*Especialista em Economia da Cultura e filho do Cavaleiro da Esperança Luiz Carlos Prestes

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