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31 de janeiro de 2019, 19h17

Perseguição: Professora é denunciada em universidade por citar Paulo Freire

Rosana Pinheiro Machado, do departamento de Sociologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), revelou que essa já é a segunda denúncia que um estudante faz à ouvidoria da instituição por citar Freire em seus textos; "Está insuportável pra mim"

Foto: Divulgação
A patrulha do ‘Escola Sem Partido’, movimento direitista que visa coibir a liberdade de ensino e o estímulo ao pensamento crítico em escolas e universidades, não só segue a todo o vapor como foi intensificada neste primeiro mês de governo de Jair Bolsonaro. Nesta quarta-feira (30), a professora do departamento de Sociologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Rosana Pinheiro Machado, revelou que está sendo alvo de uma denúncia de um aluno por citar Paulo Freire, uma das maiores referências do mundo na área de educação, em textos publicados na internet. Machado é colunista do The Intercept Brasil. Leia...

A patrulha do ‘Escola Sem Partido’, movimento direitista que visa coibir a liberdade de ensino e o estímulo ao pensamento crítico em escolas e universidades, não só segue a todo o vapor como foi intensificada neste primeiro mês de governo de Jair Bolsonaro. Nesta quarta-feira (30), a professora do departamento de Sociologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Rosana Pinheiro Machado, revelou que está sendo alvo de uma denúncia de um aluno por citar Paulo Freire, uma das maiores referências do mundo na área de educação, em textos publicados na internet. Machado é colunista do The Intercept Brasil.

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De acordo com a professora, essa é a segunda denúncia que é alvo na ouvidoria da UFSM pelo mesmo motivo. “Recebi hoje uma denúncia da ouvidoria da UFSM de uma pessoa que dizia que era um absurdo ter uma professora que escrevia sobre Paulo Freire num jornal. Um e-mail completamente louco e sem sentido. É a segunda denuncia que respondo em seis meses. Está insuportável para mim”, escreveu a docente pelo Twitter.

Além de essa não ser a primeira denúncia que Machado é alvo, a professora revelou também, pelo Twitter, que já teve a própria integridade física ameaçada, sugerindo o risco que ainda corre. “Eu já fui duas vezes dar aula com guarda universitária (não na UFSM). Se voltar ao Brasil foi uma aposta arriscada, cada vez mais se torna uma escolha impossível”, postou.

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Pelo Facebook, a professora ainda refletiu: “O que me preocupa nas universidades brasileiras é o tipo de preparação que as ouvidorias têm que ter a partir de agora”.

À reportagem da Fórum, a assessoria de imprensa da Universidade enviou uma nota em que informa não chegou a receber uma denúncia formal – apenas uma solicitação de contato – e repudia “todo e qualquer tipo de perseguição”.

Confira, abaixo, a íntegra da nota.

Em relação à denúncia relatada pela professora Rosana Pinheiro-Machado, em sua conta no Twitter, a Ouvidoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) esclarece que recebeu, via e-mail, uma solicitação de contato da docente, em decorrência de um artigo seu publicado em um veículo de imprensa – não tendo relação, portanto, com sua atuação dentro da Universidade.

A Ouvidoria, que não tem autorização para fornecer dados pessoais dos servidores, orientou o solicitante a buscar a informação junto ao Departamento em que a docente está alocada. Dessa forma, a manifestação não se configurou como uma denúncia ou reclamação e foi considerada encerrada pelo órgão.

A UFSM ressalta que a Ouvidoria é um órgão de controle interno, de caráter mediador, o qual se configura como um espaço democrático que permite a participação efetiva da comunidade na Universidade. A UFSM também reitera seu compromisso com a defesa da liberdade de expressão, repudiando toda e qualquer forma de perseguição.

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