11,3% dos que votaram em Bolsonaro em 2018 declaram voto em Lula na Pesquisa Fórum

Outro dado do cruzamento que merece destaque é o fato de que 26,2% daqueles que votarão em Lula em 2022 dizem ter anulado ou votado em branco em 2018

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A 8ª edição da Pesquisa Fórum divulgada esta semana mostra que o ex-presidente Lula dobrou suas intenções de voto e venceria Jair Bolsonaro em um segundo turno caso a eleição fosse hoje. Esse aumento da força do petista pode ser explicado, em partes, pelo fato dele conseguir angariar uma fração dos votos daqueles que votaram no atual presidente em 2018.

Fórum cruzou os resultados de duas perguntas do levantamento: em quem as pessoas votaram no 2º turno das eleições em 2018 e em quem vão votar em 2022. Daqueles que dizem que votarão em Lula na próxima eleição, 11,3% afirmam que votaram em Bolsonaro no último pleito. Ou seja, o petista, caso de fato seja candidato, abocanharia essa fatia do eleitorado bolsonarista. O que equivaleria a aproximadamente 5% dos votos totais.

Outro dado do cruzamento que merece destaque é o fato de que 26,2% daqueles que votarão em Lula em 2022 dizem ter anulado ou votado em branco em 2018. Ou seja, Lula teria a capacidade de recolocar mais do que 1/4 do eleitorado que não quis votar nem em Haddad e nem em Bolsonaro de vota ao processo eleitoral.

O petista, segundo o estudo, é o candidato que mais teria potencial de tirar votos de Bolsonaro. Depois de Lula, quem conquistaria mais votos de bolsonaristas em 2022 seria João Doria (PSDB): daqueles que dizem que votarão no tucano, 8,5% escolheram o atual presidente no segundo turno de 2018. Já Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado na última eleição, teria entre seu eleitorado para próximo pleito o voto de 3,1% daqueles que votaram em Bolsonaro.

Já Jair Bolsonaro consegue atrair apenas 2,4% de votos daqueles que dizem ter votado em Haddad no segundo turno da corrida presidencial que o elegeu.

Em um cenário sem Lula, mas com Haddad no páreo, quem mais teria potencial de tirar votos de Bolsonaro é João Doria. Apenas 1,2% dos que tem o petista como candidato em 2022 votaram no atual titular do Planalto em 2018. Já entre aqueles que querem votar no tucano, 8,4% votaram no ex-militar no segundo turno do último pleito.

Já em um cenário com Sérgio Moro candidato, é o ex-juiz quem conquista mais votos de eleitores de Bolsonaro: 11,4% daqueles que votariam no magistrado de Curitiba escolheram o presidente na última eleição. Já Lula, com Moro concorrendo, teria votos de 8,4% das pessoas que votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2018.

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Pesquisa inova com metodologia

8ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 12  e 16 de março, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico.”

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, entre outras”, acrescenta.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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