36,3% a 16,2%: Pesquisa Fórum mostra Bolsonaro na frente de Lula

Se a eleição fosse hoje, Bolsonaro venceria todos os seus adversários num primeiro turno mesmo que Lula viesse a ser candidato

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Mesmo após quase 85 mil mortos e apontando para uma tragédia de mais de 150 mil, com a economia ruindo, uma queda histórica do PIB e com os piores índices de desemprego da história, sem partido, perdendo votações importantes no Congresso, Jair Bolsonaro ainda seria o mais votado num primeiro turno se a eleição fosse hoje, aponta a 4ª edição da Pesquisa Fórum, realizada de 14 a 17 de julho em parceria com a Offerwise e sob consultoria de Wilson Molinari.

A Pesquisa Fórum trabalhou com dois cenários. O primeiro com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad sendo o candidato do PT. E no segundo, com Lula o substituindo. Além deles e de Bolsonaro, Fórum projetou cenários com os seguintes outros candidatos: Sergio Moro (sem partido), Luciano Huck (sem partido), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), João Doria (PSDB) e João Amoedo (Novo). No cenário que Haddad substitui Lula, Fórum acrescentou na disputa Flávio Dino (PCdoB). Nos dois contextos, Bolsonaro vence o primeiro turno com relativa facilidade e mantém praticamente a mesma taxa de intenção de votos. Com Haddad, Bolsonaro faz 37,6%. Em junho fazia 34,7%. Com Lula faz 36,3% e em junho fazia 34,4%. Em junho, a Pesquisa Fórum já havia feito essa pergunta, mas como os dados se mostravam surpreendentes decidiu por repeti-los no questionário de julho para realizar a divulgação com mais segurança.

Um dos dados que surpreende é que quando o PT tem Haddad como candidato, seu índice em junho foi de 14,4% e em julho de 12,8%. Com Lula, esse percentual não aumenta muito. Lula teve em junho 17,1% e em julho, 16,2%. Sérgio Moro teve 17% tanto em junho quanto em julho disputando contra Haddad. E contra Lula, de quem foi algoz, teve 18,4% em junho e caiu para 15,3% em julho. Todas as variações dos candiatos entre junho e julho se deram na margem de erro que é de 3,2%.

Flávio Dino que tem sido costurado como uma candidatura alternativa pelo PCdoB numa provável fusão com o PSB teve 0,9% em junho e 1% em julho no cenário em que Haddad é o candidato do PT. Ciro Gomes variou para baixo de junho para junho. Foi de 9,8% para 7,5% no cenário com Haddad. E de 9,1% para 7,8% no cenário com Lula. Luciano Huck saiu de um dígito e pulou para 10,7% com Haddad e 10,9% contra Lula e se mostra muito forte no público feminino onde alcança 15,1% em julho e fica em segundo lugar quando o candidato é Haddad.

Marina Silva que teve apenas 1% dos votos em 2018 tem aproximadamente 6% nos dois cenários de julho. E João Doria, o candidato do PSDB, repete em intenções de votos o que teve de votos seu ex-padrinho político Geraldo Alckmin em 2018. Em julho contra Haddad tem 4,2% e contra Lula 4,5%.

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Neste mês de julho, Fórum cruzou os dados da pesquisa para que o leitor possa ter uma ideia de onde vem a votação de Bolsonaro e de todos outros candidatos na distribuição por gênero, região, renda e faixa etária. Os gráficos a seguir permitem uma visão detalhada desses recortes. Nesta sequência você tem o cenário A, com Haddad sendo o candidato do PT. Alguns dados que vale a pena prestar atenção, são: A força de Luciano Huck entre as mulheres, ficando em 2º lugar e alcançando 15,1%; que Bolsonaro ganha de Haddad inclusive no Nordeste e na faixa de renda mais popular, abaixo de dois salários mínimos; que Haddad ganha força entre os eleitores de mais de 10 salários mínimos e entre 16 e 24 anos, ficando na frente de Sérgio Moro.

Na sequência, você tem os recortes do cenário B, com Lula substituindo Haddad e sem Flávio Dino (PCdoB) na disputa. Dados que vale a pena prestar atenção, são: Lula perde na margem de erro para Bolsonaro no Nordeste; Moro tem bom desempenho no Sudeste e supera Lula com relativa folga; Bolsonaro é muito forte no Norte e no Sul; Lula tem bom desempenho entre jovens de 16 a 24 anos e vence, diferentemente de Haddad, Luciano Huck entre as mulheres.

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Pesquisa inova com metodologia

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A 4ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 14 e 17 de julho e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Este post foi modificado pela última vez em 24 jul 2020 - 13:53 13:53

Renato Rovai: Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.