sábado, 31 out 2020
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Bolsonaro ou oposição no Congresso? População se divide sobre autoria do auxílio emergencial, diz pesquisa

Jair Bolsonaro tenta lucrar eleitoralmente com o benefício, proposto no valor de R$ 200 pelo governo e aumentado para no mínimo R$ 600 por esforço de parlamentares da oposição

A guerra em torno da narrativa sobre a autoria do auxílio emergencial de R$ 600 a R$ 1,2 mil reais pagos durante cinco meses em meio à pandemia do coronavírus ainda divide a população brasileira.

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Enquanto Jair Bolsonaro tenta lucrar eleitoralmente com o benefício – proposto no valor de R$ 200 pelo governo e aumentado por no mínimo R$ 600 por esforço de parlamentares da oposição no Congresso -, a maior parte dos entrevistados pela 6ª Pesquisa Fórum revela que a maioria não caiu em mais uma fake news lançada pelo presidente.

Segundo o levantamento, realizado entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, sob a coordenação de Wilson Molinari, 37,1% dos entrevistados atribuem o benefício de R$ 600 – que chegou a R$ 1,2 mil em lares onde as mulheres são provedoras da família – aos esforços dos parlamentares oposicionistas.

Por outro lado, 35,1% atribuem a Bolsonaro o pagamento do auxílio – 27,9% não sabem ou não quiseram responder.

Nordeste
No Nordeste do país, onde Bolsonaro tenta usar o auxílio para cooptar o eleitorado que o rejeita, 43,1% atribuem à oposição o pagamento do benefício – o maior indíce entre as regiões. Apenas, 27,4% acham que o auxílio foi autoria do presidente.

O cenário é parecido no Norte do país, onde 37,7% atribuem aos oposicionistas e 31,7% à oposição. Já no sul, o quadro se inverte, com 45,3% atrelando o auxílio a Bolsonaro e 29,2% ao parlamento.

No Centro-Oeste, a maioria (38,2%) também credita a Bolsonaro o pagamento, enquanto 23,5% à oposição. O Sudeste é o que melhor reflete os números nacionais, com 38,6% atribundo à oposição e 36,1% a Bolsonaro.

Sexo
Os homens acreditam mais que foi Bolsonaro o responsável pelo auxílio – 38,6% contra 36,1% que acredita que foi o Congresso. Já entre as mulheres, 38% atribuem a parlamentares oposicionistas e 31,9% ao presidente. Veja mais recortes abaixo.

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A Offerwise ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo.

O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar.

No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Plinio Teodoro
Plinio Teodoro
Plínio Teodoro Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.