quinta-feira, 1 out 2020
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Brasileiro é contra acordo com centrão e considera filhos de Bolsonaro má influência ao governo

A maior parte dos brasileiros acredita que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) age mal ao negociar cargos e verbas com deputados e senadores, aponta a 3ª Pesquisa Fórum, realizada dos dias 10 a 13 de junho em parceria com a Offerwise. Segundo o levantamento, 62,9% dos brasileiros dizem que o presidente age mal e 37,1% que ele age bem.

Entre os entrevistados com ensino fundamental, 56,2% afirmam que Bolsonaro age mal, já 43,8% consideram que ele age bem. Na região Sul do país, essa distribuição de cargos tem maior aceitação: 52% dizem que Bolsonaro age mal e 48% que ele age bem. Um empate técnico.

O “toma lá dá cá” incomoda mais alguns profissionais, como os funcionários públicos (82,3% dizem que age mal), assalariados sem registro (73%), profissionais liberais (70,1%) e estudante (68,6%). Já entre os autônomos, só 52,2% dizem que Bolsonaro age mal.

Contrariando promessa de campanha, o presidente Jair Bolsonaro fez aliança com parlamentares dos partidos do centrão, oferecendo diversos cargos a essas legendas. Entre os cargos que já foram entregues estão: a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) ao PSD; a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ao PP; a diretoria de Ações Educacionais para o PL, que será responsável pelo programa de livros didáticos, de alimentação escolar e apoio à manutenção escolar; o comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) para o PP; o Banco do Nordeste para o PL; o cargo de diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) ao PSD; a Secretaria Nacional de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional ao Republicanos.

O acordo de Bolsonaro com o centrão garante ao presidente apoio de cerca de 200 parlamentares.

Influência dos filhos é negativa

A grande maioria dos brasileiros desaprova a interferência dos filhos de Jair Bolsonaro (sem partido) no governo. O levantamento revela que 82,8% dos entrevistados não aprovam a interferência do “zero um”, “zero dois” e “zero três” no governo do pai. E apenas 17,2% aprovam.

Entre os que têm ensino fundamental a aprovação é um pouco maior, chegando a 24,3% dos entrevistados; 75,7% desaprovam. Já entre os que têm ensino superior, somente 9,9% aprovam e 90,1% desaprovam. Dos que têm ensino médio, 15,4% disseram aprovar e 84,6% não aprovam.

Os mais jovens são os que mais aprovam a interferência dos filhos de Bolsonaro no governo. Entre 16 a 24 anos, 22,3% aprovam e 77,7% desaprovam.

Já os funcionários públicos são os que mais desaprovam Carlos, Eduardo e Flávio interferindo no governo: 91,3% contra 8,7% que dizem aprovar.

Pesquisa inova com metodologia

A 3ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 10 e 13 de junho e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existia perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante era manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Dri Delorenzo
Dri Delorenzo
Jornalista e editora executiva da Revista Fórum.