O que o brasileiro pensa?
24 de junho de 2020, 20h38

Confiança da população nas Forças Armadas cai em Pesquisa Fórum

Congresso Nacional é a instituição que as pessoas menos confiam

A 3ª edição da Pesquisa Fórum, realizada em parceria com a Offerwise, mostra que a escola e as Forças Armadas seguem sendo as instituições com maior confiança da população brasileira. Em maio, 56,7% diziam que confiavam muito na escola, em junho, houve uma ligeira queda: 51,8% dizem que confiam muito na escola.

Em relação às Forças Armadas eram 44,1% em maio, e, agora, são 39,6%. Enquanto 47,9% dos homens dizem confiar muito nas Forças Armadas, as mulheres são 32,3%. Os jovens de 16 a 24 anos confiam menos (31,6%), já entre os mais velhos, acima de 60 anos, 49,5% dizem confiar muito nos militares, justamente aqueles que viveram a ditadura no Brasil.

Instituições como polícia, bancos e grandes empresas têm mais confiança dos brasileiros do que o Congresso Nacional. Segundo a pesquisa, 22,4% dos brasileiros dizem que confiam muito na polícia, 20% confiam muito nas grandes empresas e 18%,1%, nos bancos.

Já o Congresso, onde as próprias pessoas elegem seus representantes, é a que tem menos confiança dos brasileiros. Apenas 7,2% dos entrevistados dizem cofiar muito no Congresso. Para 49,9% dos brasileiros, o Congresso não é confiável e 42,8% dizem confiar um pouco.

O STF, que vem sendo atacado por bolsonaristas, tem muita confiança de 12,6% dos entrevistados e a imprensa, 16,4%. Vale lembrar que veículos de mídia também são alvos constantes do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, acusados de fake news quando publicam matérias desfavoráveis ao governo.

Em relação à polícia, embora 22,4% digam que confiam muito na instituição, 25,6% dizem que não confiam e a maioria da população (52%) diz confiar um pouco. Entre os que mais confiam na polícia estão as pessoas com ensino fundamental (28,5%), moradores da região Sul do país (34,5%) e os homens (27%). Entre as mulheres, 18,4% dizem confiar muito na polícia.

Os sindicatos têm muita confiança de apenas 9,8% da população, no entanto, é preciso relacionar com a taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro. Até fevereiro de 2020, o Brasil tinha 38,08 milhões de pessoas na informalidade, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40,6% do total de trabalhadores ocupados.

Pesquisa inova com metodologia

3ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 10 e 13 de junho e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existia perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante era manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

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