sábado, 31 out 2020
Publicidade

Dois terços da população são contra a volta às aulas presenciais, diz Pesquisa Fórum

Levantamento aponta ainda que o país segue com um alto nível de subnotificação.

A retomada das aulas presenciais em meio à pandemia do novo coronavírus segue sofrendo forte rejeição na sociedade, apesar de algumas cidades terem dado início à flexibilização mesmo com a resistência de educadores. Esse é o cenário que aponta a 6ª edição da Pesquisa Fórum, realizada entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, sob a coordenação de Wilson Molinari.

O levantamento aponta que 66,4% dos entrevistados são contrários ao retorno das aulas, percentual equivalente a cerca de dois terços da população. Os favoráveis são 33,6%.

Apesar o percentual ainda ser alto, os números são um pouco mais favoráveis ao retorno do que os apresentados na pesquisa de agosto/setembro. Na ocasião, 72,1% se colocavam contra o retorno e apenas 27,9% estavam a favor.

O cenário não sofre alterações substanciais nos recortes de renda, escolaridade ou região geográfica. Há uma mudança, no entanto, no recorte de gênero do/a entrevistado/a. Os homens são mais favoráveis ao retorno das aulas presenciais, com 39,2% a favor e 60,8% contra, enquanto as mulheres são mais contrárias: 71,3% não queriam a volta às aulas, enquanto 28,7% defenderam o retorno.

Contaminação por Covid-19

Segundo o levantamento, 71,7% afirmaram conhecer alguém próximo (parente ou amigo) que já foi diagnosticado com a Covid-19 e 8,7% disseram que foram diagnosticados com a doença, número similar (na margem de erro) à pesquisa de agosto/setembro, quando 73,8% diziam conhecer alguém que obteve tal diagnóstico e 10,7% declaravam já terem tido a doença. Os números confirmam a subnotificação no país. Segundo os dados oficiais do Ministério da Saúde, há 5 milhões de casos confirmados no Brasil, o que daria cerca de 2,4% da população.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, apontam que, até agosto, o Brasil realizou cerca de 17,9 milhões de testes, o equivalente a 8,5% da população do país. Destas, 21,6% testaram positivo. O mesmo levantamento apontou que 12,1 milhões relataram ter algum sintoma de síndrome gripal – 5,7% da população.

APOIE A PESQUISA FÓRUM

Leia também:
Cresce avaliação negativa da atuação de Bolsonaro na pandemia

Mais de 30% da população não sabe nada sobre rachadinhas e cheques de Michelle, revela Pesquisa Fórum

Pesquisa Fórum: para 80%, queimadas no Pantanal e na Amazônia resultam de atos criminosos

Ótimo e bom de Bolsonaro cai e ruim e péssimo sobe em nova Pesquisa Fórum

Pesquisa Fórum: Metade dos brasileiros não sabia que “revogaço” de Salles privilegia hotéis em manguezais

Pesquisa inova com metodologia

6ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, em parceria com a Offerwise, e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.