Dos que recebem auxílio emergencial, 35,8% melhoraram avaliação de Bolsonaro

Os resultados regionais mostram que foi no Centro-Oeste que o auxílio mais ajudou na avaliação, diz Pesquisa Fórum

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Por Fabíola Salani e Renato Rovai

A Pesquisa Fórum realizada de 21 a 24 de agosto em parceria com a Offerwise aponta que 38,5% dos brasileiros dizem estar recebendo o auxílio emergencial de R$ 600 ou R$ 1,2 mil criado pela oposição ao governo federal no Congresso para socorrer os que perderam renda com a pandemia do novo coronavírus. O projeto de Bolsonaro previa apenas o valor de R$ 200 por três meses durante a pandemia.

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Deste percentual, 13,8% melhoraram sua avaliação sobre o governo de Jair Bolsonaro; 19,1% disseram que não mudaram o que pensam do governo mesmo recebendo o auxílio; e, para 3,3%, a avaliação piorou. Não souberam ou não quiseram responder 2,3% dos pesquisados.

Os 13,8% do total dos entrevistados que dizem ter melhorado sua avaliação em relação a Bolsonaro representam 35,8% daqueles que recebem o benefício. A partir desta revelação, pode-se entender com mais precisão a melhora da popularidade do presidente neste período de pandemia.

Os resultados regionais mostram que foi no Centro-Oeste que o auxílio mais ajudou na avaliação do capitão reformado. Nessa região, 21,2% dos entrevistados melhoraram sua impressão sobre o governo federal por causa do benefício. A seguir aparece a região Nordeste, onde 15,9% dos pesquisados passaram a ver o governo de Bolsonaro com mais simpatia. A influência do auxílio foi positiva ainda para 12,7% dos moradores do Sul, 12,2% dos beneficiados do Sudeste e 11% daqueles que vivem na região Norte.

Entre os entrevistados, 44,7% das mulheres e 31,5% dos homens declararam estar recebendo o auxílio emergencial. E isso pode explicar por que foram mais elas do que eles que melhoraram sua visão sobre a gestão de Bolsonaro: 12% dos homens e 15,5% das mulheres que recebem o benefício passaram a ver o governo com uma perspectiva mais positiva.

No recorte de faixa etária, aqueles que têm entre 35 e 44 anos são os que mais melhoraram a a avaliação do presidente após o auxílio. Foram 18,9%. Entre os com idade de 25 a 34 anos são 17,9%.

20% dos que recebem auxílio ganham R$ 1.200

Dos 38,7% que recebem o auxílio, ampla maioria, 28,7%, responderam ganhar R$ 600. E 7,7% estão tendo créditos de R$ 1.200. Sendo que 2,1% não souberam responder de quanto é o auxílio que recebem. Cruzando os dados, pode-se afirmar que 19,8% dos que dizem receber o auxílio ganham R$ 1,2 mil. Ou seja, praticamente 20%.

Outro dado importante revelado na Pesquisa é que dos beneficiados pelo auxílio, já recebiam o Bolsa Família antes da pandemia 9,9%. Os demais 28,6%, não recebiam nenhum auxílio.

A Caixa Econômica divulga que 65 milhões de pessoas recebem auxílio emergencial oficialmente. Na Pesquisa Fórum, 38,5% da população dizem receber, o que daria em torno de 80 milhões. Essa diferença ocorre porque muitos entrevistados podem se sentir atingidos pelo benefício mesmo sem estar recebendo.

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Pesquisa inova com metodologia

5ª Pesquisa Fórum foi realizada entre os dias 21 e 24 de agosto e ouviu 1000 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. O método utilizado é o de painel online e a coleta de informações respeita o percentual da população brasileira nas diferentes faixas e segmentos.

O consultor técnico da Pesquisa Fórum, Wilson Molinari, explica que os painelistas são pessoas recrutadas para responderem pesquisas de forma online. A empresa que realiza a pesquisa, a Offerwise, conta com aproximadamente 1.200.000 potenciais respondentes no Brasil. “A grande vantagem é que o respondente já foi recrutado e aceitou participar e ser remunerado pelas respostas nos estudos que tenha interesse e/ou perfil para participar. No caso da Pesquisa Fórum, por ser de opinião, não existe perfil de consumidor restrito, como, por exemplo, ter conta em determinado banco, ou possuir o celular da marca X. O mais importante é manter a representatividade da população brasileira, tais como, gênero, idade, escolaridade, região, renda, etc.”

Molinari registra que pesquisas feitas em ruas ou nos domicílios costumam ter margem de erro menor. “Porém sabemos que 90% da população brasileira possui acesso à telefonia celular e, especificamente na situação de quarentena que estamos vivendo, o método online é mais seguro do que o pessoal e sempre é menos invasivo que o telefônico”, sustenta.

Pouco usado para pesquisas de opinião no Brasil, os painéis online são adotados como método de pesquisa no mundo todo, segundo Molinari. E regulamentados pelas principais associações de pesquisa. “Os painéis hoje são amplamente utilizados para pesquisas de satisfação, imagem de marca, qualidade de produtos e serviços, opinião, etc”, acrescenta.